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Biodiversidade

Sexta-feira, 04 de Março de 2011

 
     

Pica-pau-do-parnaíba:o animal que desapareceu por 80 anos

  

Após reencontrá-la nooeste do Tocantins, cientistas pesquisam hábitos e biologia desta espécie queestá criticamente ameaçada de extinção.

  

Renato Pinheiro    


Por Fundação Grupo Boticário

Pouco conhecido e bastante ameaçado. Este é opica-pau-do-parnaíba (Celeus obrieni), redescoberto por um grupo depesquisadores em 2006, em Goiatins, nordeste do estado do Tocantins, depois de80 anos desde seu primeiro registro, ocorrido no município de Uruçuí, no sul doPiauí, em 1926, na região do rio Parnaíba. Endêmica do Cerrado, a espécietambém foi registrada nos estados de Goiás, Mato Grosso e Maranhão.

Desde 2007, uma equipe de pesquisadores daFundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins, apoiada pela FundaçãoGrupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolve uma pesquisa sobre opica-pau-do-parnaíba. “A pesquisa tem dois objetivos: o de estudar abiologia e a ecologia da espécie, determinando seu hábitat preferencial,alimentação, reprodução, relação com outras espécies; e o de realizarexpedições para áreas onde historicamente houvesse registros desta espécie”,explica Renato Torres Pinheiro, responsável técnico pelo projeto. Com estasinformações, a equipe poderá propor medidas para a conservação do animal.

Pinheiro conta que, além de terem sidoconfirmados os registros anteriormente feitos, sua equipe chegou a realizar umregistro inédito da ave no Mato Grosso. “Os resultados mostraram que aespécie tem uma preferência por áreas de cerradão com bambu, o queimpossibilita uma definição de área exclusiva de ocorrência da ave, uma vez queeste tipo de vegetação encontra-se disperso pelo Cerrado”, relata.

O pesquisador diz que ainda não existem dadossuficientes para determinar o tamanho real da população do pica-pau-do-parnaíbano Brasil, mas sabe-se que é pequena. “Estima-se que haja entre três eseis mil indivíduos da espécie, sendo que as maiores populações estão no estadodo Tocantins, onde ainda se encontram as maiores extensões de Cerradopreservado”, comenta.

O pica-pau-do-parnaíba alimenta-se quase queexclusivamente de formigas que vivem dentro das hastes da Guadua paniculata,uma espécie de bambu característica do Cerrado. “O fato de a ave serespecializada em um tipo específico de alimento, encontrado em um ambientepouco explorado, que é o cerradão com bambu, faz dela uma espécie poucoabundante na natureza, o que justifica o seu desaparecimento por 80 anos e oque a coloca em risco ainda maior de extinção”, explica Pinheiro.“Em Goiás, por exemplo, a situação da espécie é bastante crítica, uma vezque mais de 65% da cobertura vegetal de Cerrado foi destruída no estado. Aindaassim, a probabilidade de extinção da espécie está relacionada àdisponibilidade de ambientes propícios”, afirma.

Outra preocupação dos cientistas é que nãofoi realizado, até hoje, nenhum registro do pica-pau-do-parnaíba em unidades deconservação de proteção integral, o que aumenta a vulnerabilidade da espécie.Segundo Pinheiro, como a ave depende muito do seu hábitat, é muito importanteque o Cerrado seja conservado.

A própria espécie contribui com a conservaçãodo bioma. Como a ave se alimenta exclusivamente de formigas, os cientistasacreditam que ela tem uma relação ecológica importante com este grupo, sejaalimentando-se e controlando algumas espécies, seja furando as hastes de bambue permitindo que outras espécies façam uso deste recurso. “Apesar deingerir mais de 20 espécies de formigas diferentes, seleciona apenas duas, quecompõem 80% de sua dieta. Nesse sentido, por ser uma espécie altamenteespecializada no uso de alguns recursos do meio, seguramente a sua ausênciacausaria um desequilíbrio”, explica Pinheiro.

Andamento do projeto

No início do ano, Pinheiro e a equipe doprojeto que pesquisa o pica-pau-do-parnaíba identificaram, pela primeira vez, aocorrência da espécie em uma área protegida. A ave foi identificada em umareserva particular do município de Minaçu, na região norte de Goiás. Em janeiro, os pesquisadores também iniciarama procura de indivíduos da espécie para captura e marcação com radiotransmissores.Está prevista a marcação de cinco aves, para a identificação de hábitos de vidaque ainda não foram registrados.

Fundação Grupo Boticário/EcoAgência

  
  
  
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