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Segunda-feira, 09 de Novembro de 2015

 
     

10ª Bienal do Mercosul em Porto Alegre insiste na exposição de papagaios em obra

  

Os próprios visitantes apoiaram o protesto realizado pelos defensores dos animais, no último sábado, e reconheceram a urgência de retirar os animais da exposição

  

Defensores dos animais pedem a libertação dos papagaios que integram obra de arte


Por Gelcira Teles

Ativistas defensores dos animais realizaram um ato de protesto e educação ambiental no último sábado (7), em Porto Alegre, contra a exposição de dois papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) em um viveiro instalado na obra “Tropicália”, de Hélio Oiticica (1937 - 1980), situada no térreo da Usina do Gasômetro. O objetivo do ato pacífico foi chamar a atenção do público que visitava a 10ª Bienal do Mercosul para a exploração dos animais comprados como pets. “Além de serem vítimas do tráfico, a exibição das aves como arte não é educativa, principalmente para as crianças, que vão ver os pássaros enjaulados, e não voando livres na natureza”, explicou a jornalista Gelcira Teles.

Originalmente, a obra de 1967, um labirinto “penetrável”, com arquitetura semelhante às favelas e palafitas e plantas tropicais características, tinha araras. “Se é uma remontagem poderiam ter usado bichos de pelúcia ou de outro material”, avaliou o artista plástico Juan Curvalán.

Os visitantes apoiaram o protesto, registrando fotos, conversando e até abraçando os ativistas. Um estudante de Biologia sugeriu que as aves sejam encaminhadas a um Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) para reabilitação.
 

Papagaiada
Desde a abertura da Bienal (23/10), defensores dos animais e ambientalistas têm mostrado sua discordância com a exposição dos pássaros. No dia 2, a vereadora da capital gaúcha Lourdes Sprenger ingressou com processo cautelar na 3ª Vara Civil do Foro Central, para que a Bienal retirasse os papagaios. E no dia 3, registrou protocolo para que a Seda (Secretaria Especial dos Direitos Animais) cumprisse o art. 45 da Lei Complementar 694/2012, que proíbe “a exibição de animais silvestres ou exóticos em vias públicas, bem como utilização deles em apresentações artísticas de diversão pública”. Lourdes lembra que há um precedente legal para a retirada dos animais. Em 2010, a Justiça do Rio de Janeiro acatou uma ação da prefeitura da capital fluminense com o argumento de que “a mera exposição dos animais revela-se inadequada, porquanto o meio escolhido impinge sofrimento aos animais, uma vez que permanecerão expostos em ambiente hostil, dada a grande circulação de pessoas no local”.

Na véspera do ato, sexta-feira (6), agentes da Seda entregaram intimação à Fundação Bienal do Mercosul, estabelecendo o prazo de 12 horas para a retirada das aves. Mas, o prazo se esgotou e os papagaios permanecem expostos, com intensa movimentação de público. No fim de semana houve shows musicais do lado de fora da Usina do Gasômetro.

“Embora a exposição seja autorizada e os papagaios sejam provenientes de criadouro legalizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a lei municipal proíbe e deve prevalecer para o beneficio dos animais”, finalizou Gelcira. A 10ª Bienal do Mercosul segue até 6 de dezembro.

EcoAgência

  
  
  
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