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Educação Ambiental

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

 
     

Sabedoria Guarani é compartilhada com visitantes em duas aldeias

  

“O seu espírito só cresce se você escuta a natureza. Nossa cultura não existe se não a respeitarmos acima de tudo", ensinou o cacique Guarani José Cirilo Morinico

  

Clleber Passus    
Cacique José Cirilo Morinico, da Aldeia Annhetenguá, fala para os visitantes sobre a importância medicinal das plantas e suas crenças


Por IECAM

“O seu espírito só cresce se você escuta a natureza. Nossa cultura não existe se não a respeitarmos acima de tudo. As plantas sentem e nós conversamos com elas e nos emocionamos quando crescem”. Esse é um dos ensinamentos que o cacique Guarani José Cirilo Morinico transmite em sua aldeia e que compartilhou com os visitantes que nesta terça-feira, 22 de abril, conheceram a Tekoá (aldeia) Annhetenguá (Lugar da Verdade), localizada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Os participantes conviveram com as 30 famílias indígenas do local, conhecendo suas crenças, cultura e culinária. Esta foi uma das atividades promovidas pelo projeto Projeto Ar, Água e Terra – Vida e Cultura Guarani, desenvolvido pelo IECAM – Instituto de Estudos Culturais e Ambientais, com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.

A iniciativa marcou as comemorações pelo Dia do Índio, festejado em 19 de abril, e também a chegada dos europeus às terras brasileiras em 1500 (22 de abril). Para a professora universitária Isa Canfield Garin, que esteve na aldeia, o dia foi de reflexão. “Mais de 500 anos já se passaram, mas ainda aprendemos pouco com eles, principalmente sobre valorizar muito e ter uma relação de respeito com o que a terra oferece”. Ela, que é do Rio de Janeiro, também esteve acompanhada do filho, Iguatemi, e a nora Ana Gantus. “Realmente surpreende ver que mesmo em meio a uma grande metrópole, e toda convivência com a cultura branca, os índios conseguem manter todas as suas tradições, além de precisarem lutar bastante para garantir seus direitos”, conclui Ana.

Os visitantes provaram comidas típicas Guarani, como Mbojape (bolo de milho), Jety mbixi (batata doce cozida) e Rora piru (milho moído e cozido), conheceram o artesanato, caminharam por trilha ecológica e estiveram na casa de reza. Conheceram, ainda, o primeiro viveiro de mudas de aldeia Guarani no Brasil. Construído com auxílio do projeto do IECAM, que implementa ações de recuperação e conservação ambiental e etnodesenvolvimento entre oito aldeias do Rio Grande do Sul, o viveiro já gerou o plantio de mais de 20 mil mudas de 90 espécies da flora, das quais 35 estavam em risco de extinção nestas áreas indígenas. “São as plantas que utilizamos para culinária, artesanato e as nossas curas”, explicou o cacique. As principais são o milho, a erva-mate, a madioca, o feijão e o cedro.

Riozinho

A aldeia Itapoty, em Riozinho, no Vale do Paranhana, também recebeu visitantes. Foram mais de 100 alunos da Escola Estadual de Ensino Médio João Alfredo, que fica no município. Eles foram recebidos pelo cacique Miguel Brizoela e puderam aprender sobre as plantas sagradas, como os índios produzem seus artigos do dia-a-dia e ouvir os cânticos tradicionais.

Denise Wolf, bióloga e presidente do IECAM, destaca que as datas alusivas contribuem para atrair a atenção da sociedade sobre as nações indígenas. “E o etnoturismo é uma oportunidade para mostrar que, independente do uso de vestuário convencional ou de tecnologia, os índios seguem seus rituais religiosos e, mesmo com todas as dificuldades, mantêm, ainda hoje, suas tradições, língua e culinária”. No Rio Grande do Sul, conforme o Censo do IBGE (2010), vivem 32,8 mil índios.

Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) - EcoAgência

  
  
  
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