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Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

 
     

Terça Ecológica discutiu a reação paraense frente aos impactos da mineração

  

Segundo um dos idealizadores, o documentário Juruti Velho teve a divulgação impedida pelo governo brasileiro durante o período da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)

  

Eliege Fante - EcoAgência    
Ilza Girardi, Karine Emerich e Wálmaro Paz


Por Débora Gallas - especial para a EcoAgência

Nesta terça-feira (18), o NEJ-RS realizou mais uma edição da série de debates Terça Ecológica com a exibição do documentário Juruti Velho, lançado em 2012. A produção, dirigida pela jornalista e cineasta Karine Emerich, aborda os impactos das atividades de mineração da produtora de alumínio Alcoa em comunidades da região de Juruti Velho, município do oeste paraense. O encontro ocorreu na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (FABICO), em Porto Alegre.
 
Wálmaro Paz, jornalista e ex-assessor de comunicação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), levou à diretora Karine Emerich imagens com registros das trajetórias da comunidade. Com isso, surgiu a ideia de realizar um documentário sobre o movimento de resistência da população frente à exploração de bauxita pela Alcoa. Durante o debate, Wálmaro ressaltou que o filme teve divulgação impedida pelo governo durante o período da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em 2012, por conta do financiamento massivo das campanhas eleitorais por companhias de mineração como a Vale.
 
Segundo a diretora Karine Emerich, o objetivo do trabalho foi realizar uma abordagem jornalística da situação em Juruti Velho, conciliando as perspectivas do Incra, da Alcoa e de membros da comunidade, além da análise de fontes acadêmicas e do judiciário. No documentário, moradores entrevistados contam que o município não estava preparado para o impacto sobre áreas que englobam nascentes e floresta nativa. Em um primeiro momento, a reação foi de contrariedade ao projeto. Porém, com a impossibilidade da retirada das atividades de exploração da área, a comunidade iniciou processo de negociação com a Alcoa. No entanto, destacou a diretora, parte da população continuou se opondo ao empreendimento.
 
O documentário mostra que a empresa canadense modificou o projeto de exploração da área a partir do diálogo com a população, que se mobilizou para reivindicar o direito à terra e para questionar a ocupação de territórios que deveriam ser preservados no que tange à biodiversidade, à cultura e à memória dos povos da floresta. A luta da comunidade também ocasionou a realização de um Estudo de Perdas e Danos, realizado por empresa contratada por meio de acordo mediado pelo Incra, que identificou externalidades não apontadas pelo licenciamento ambiental, indenizou os moradores de Juruti Velho e passou a pagá-los pelo direito de participação na lavra. De acordo com Wálmaro Paz, a companhia paga à comunidade um milhão de reais por mês desde 2009, o que outras mineradoras da região interpretam como um problema, pois normalmente exploram o território sem oferecer compensação alguma às comunidades atingidas.
 
Durante o debate com os realizadores do filme, o público da Terça Ecológica questionou o fato de a negociação com a empresa ser vista pelas autoridades como única solução para os problemas sociais e ambientais e destacou que, diversas vezes, a negociação é considerada uma medida radical.
 
Juruti Velho, financiado pelo Incra e pela Alcoa, foi exibido pela BBC e, após a Rio +20, pela TV NBR. O vídeo também passou a ser distribuído pela Alcoa. O evento contou com os apoios da FABICO, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN) e do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGÁ).

O documentário está disponível neste link.

 

EcoAgência

  
  
  
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