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Desastre Ambiental

Sexta-feira, 05 de Fevereiro de 2016

 
     

Manifesto liderado pela Fiocruz pede maior atenção às vítimas de Mariana

  

Documento aponta para lentidão e falta de organização, entre empresas responsáveis e estados, nos cuidados devidos aos atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco em Minas Gerais

  


Por Redação RBA

Várias entidades publicaram nessa quinta-feira (4) manifesto para chamar a atenção de autoridades públicas em defesa das vítimas de Mariana (MG). O documento foi elaborado pela Fiocruz e outras 20 entidades e pede a reconstrução do povoado de Bento Rodrigues, o mais atingido pelo desastre.

“O que motivou o manifesto foi a notícia de que estaria sendo contratado um projeto para reassentamento das famílias e nós achamos que este tema não é trivial e deve ser tratado com muita responsabilidade”, afirmou Léo Heller, relator especial do Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário da ONU e pesquisador da Fiocruz de Minas Gerais, em entrevista para a Rádio Brasil Atual.

Moradores da região reclamam que estão sendo esquecidos pelo poder público e enganadas pelas empresas responsáveis pelo desastre. “A gente fica em um quarto apertado e sem quintal. Ninguém aguenta mais, estamos estressados e cansados. Queremos voltar para casa”, relata um dos atingidos pelo rompimento da barragem Samarco em dezembro, quando aconteceu aquele que é considerado o pior desastre ambiental da história do Brasil.

O “tsunami de lama” deixou sete mortos, dois desaparecidos, milhares de desabrigados, além de acarretar na destruição da fauna e flora das margens do Rio Doce, que vai de Minas Gerais até o litoral do Espírito Santo. “A população está muito angustiada. Não existe uma clareza sobre as medidas que serão tomadas e como serão tomadas. Em primeiro lugar, é necessário muita transparência, agilidade e responsabilidade na forma como as medidas devem ser adotadas”, disse Heller. “Na nossa visão, parte das medidas está sendo lenta e outra parte definida quase exclusivamente pela empresa, sem participação do estado.”

“Tivemos acesso, por exemplo, a um plano de recuperação que prevê, entre outras medidas, uma dragagem de uma usina hidroelétrica na região. Tentei ver com o governo do estado quem teria aprovado a medida e não obtive uma resposta. A princípio não parece ser uma medida prioritária recolocar em funcionamento a hidroelétrica”, afirmou o pesquisador sobre o vácuo de cuidados percebido pelos afetados. “Essa dragagem pode até comprometer mais a qualidade da água do Rio Doce. Este é um exemplo de como está havendo uma certa falta de sintonia entre as autoridades públicas e as empresas.”

Além dos atingidos diretamente pelo desastre, o manifesto procura alertar para os cuidados com os reflexos do episódio “Outras questões nos preocupam e nós incluímos no manifesto também, como a questão das populações ribeirinhas, o abastecimento de água nas cidades, na opinião das entidades que assinaram o manifesto, existem várias consequências desta tragédia que ainda não tem um bom encaminhamento”, criticou Heller.
RBA - EcoAgência

  
  
  
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