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Fórum Social Mundial 2010

Segunda-feira, 01 de Fevereiro de 2010

 
     

Ex-deputado Adão Pretto será homenageado nesta sexta-feira (5)

  

Foram quase 25 anos de luta pela reforma agrária. Nesse período, ele articulou e agregou militantes no movimento em defesa da reforma agrária e justiça social, e conquistou o respeito dos adversários políticos pela “linha política definida”.
 

  

Elége Fante/EcoAgência    
Severiano Telles e Daniel Machado declamam “Estrela que brilha”


Por Eliége Fante, Especial para EcoAgência de Notícias

Nesta sexta-feira (5) completa um ano da morte do deputado federal Adão Pretto. Em quase 25 anos de luta pela reforma agrária, contou o amigo Severiano Telles, articulou e agregou militantes no movimento em defesa da reforma agrária e justiça social, e conquistou o respeito dos adversários políticos pela “linha política definida”.

Na abertura da oficina sobre reforma agrária, no Semapi, atividade do FSM 10 anos Porto Alegre, na semana passada, o amigo e assessor de Pretto, Severiano, lembrou a origem humilde do amigo e que tudo na sua vida começou cedo, aos 19 anos: o casamento, o nascimento do primeiro filho, Edegar - que estava presente na homenagem no Sindicato -, o engajamento na Pastoral da Terra. “Morou em Miraguaí e, lá participou de debates promovidos pela Igreja sobre o porquê se era rico ou pobre e, porquê havia latifúndio e também sobre reforma agrária,” disse.

Os debates evoluíram e em 1984 começaram a pensar a criação de um movimento de luta pela terra. Pensaram e realizaram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, cuja primeira ocupação ocorreu em Santo Augusto, numa área do governo improdutiva, de onde foram despejados sob agressões em menos de 24 horas. Mas a confirmação da validade da luta estava perto, e em 1985, ocuparam os 9.200 ha da Fazenda Annoni, com cerca de 1.500 famílias.

Nesta época, devido à constatação da falta de apoio político, o movimento decidiu candidatar dois de seus militantes, um à Assembleia e, o outro, como deputado federal constituinte. E, foi assim que, numa das reuniões do MST, saiu o nome de Adão Pretto para concorrer na eleição de 1986 a deputado estadual. “Um fusca e uma brasília eram a frota da nossa campanha. A maior parte era o 'boca a boca”. Com 'vaquinhas' juntávamos dinheiro para fazer 'santinhos', e pagar a gasolina. Deitávamos tarde e levantávamos cedo, e assim o primeiro colono, com pouco estudo, chegou lá,” lembrou. Foi neste mandato, em 1988, que ele apresentou o projeto de seguro agrícola, que mesmo aprovado por unanimidade na Assembleia, acabou vetado pelo governador Pedro Simon. Somente 12 anos mais tarde, o governador Olívio Dutra sancionou a lei.

Ao todo foram seis mandatos sendo que, aos 63 anos, atuava como deputado federal até a pancreatite aguda interromper a trajetória. O fiel escudeiro enfatizou que as decisões dos mandatos eram tomadas coletivamente: “Visitávamos assentamentos e comunidades, fazíamos uma média de 10 mil Km/Mês e 800 mil Km/ano”.

Adão Pretto não podia se conformar com a exploração do outro e, deixou um legado que reúne milhares de pessoas que também acreditam na justiça social. O pai de Adão iniciou a vida com 20 ha e, ele, terminou com 22 ha. Deixou também uma casa e um carro para a família: nove filhos, nove netos e um bisneto. Todos convidam para uma missa em homenagem à Adão Pretto no dia 05, às 19h, no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre.

  
  
  
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