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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

 
     

Pesquisadora desvenda a “informação perversa” sobre a mineração de urânio

  

A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Raquel Rigotto, abordou as ações de resistência à mineração em Santa Quitéria, município do semi-árido nordestino

  

EcoAgência    
Professora e pesquisadora da UFC Raquel Rigotto


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

Na manhã desta quarta-feira, 20, ocorreu o debate "Mariana, urânio, Angra 3 – nuclear em questão", na Assembleia Legislativa, uma das atividades do Fórum Social Temático que acontece em Porto Alegre, evento preparatório à edição mundial que será em Montreal, Canadá, entre 9 e 14 de agosto. A realização do debate foi da Articulação Antinuclear Brasileira e da Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares.

A prof. Raquel Rigotto, da Universidade Federal do Ceará (UFC), integra o Núcleo de pesquisa Tramas - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, que criou o Processo Antinuclear como uma das formas de resistência à mineração de urânio e fosfato em Santa Quitéria, no semi-árido nordestino. Através deste projeto o governo federal promove a produção de matéria-prima para abastecer as usinas nucleares brasileiras existentes no Rio de Janeiro e as quatro que pretende implantar nos próximos anos. Já a exploração do fosfato deverá servir à produção de fertilizantes atendendo uma demanda do agronegócio.

 

A exploração do minério radiotivo será por 20 anos e ameaça a existência dos modos de vida de 10 mil pessoas distribuídas em 41 comunidades no município cearense de menos de 50 mil habitantes. Os danos sociais e ambientais podem ser considerados irreversíveis já que a radiação é invisível, inodora e insípida e permanece no ambiente por centenas de anos. “A população entendeu que é como um ‘dragão adormecido’ e que se mexermos com o urânio teremos problemas,” contou Raquel.

 

A ciência que fazem, explicou a pesquisadora, tem uma perspectiva dialógica e emancipatória, trabalha ao lado das comunidades atingidas. Um dos focos é a desconstrução da “informação perversa”, conforme definiu, baseada em mentiras e repassada às comunidades. Ela contou que, durante uma audiência pública, foi divulgado que apenas areia e água estariam contidos em uma barragem de rejeitos. Mas, haverá também Radio e Tório, que integram a grande família de decaimento natural do urânio.   

 

A questão do desequilíbrio hídrico já enfrentada no semi-árido também se agrava com mineração do urânio em Santa Quitéria. “Enquanto as comunidades recebem entre 25 e 35 carros-pipa de água por mês, o consumo de água para a exploração do urânio será de 115 carros-pipa por hora,” alertou a professora da UFC.

 

O Núcleo Tramas integra a Articulação Antinuclear do Ceará e juntos promovem diversas ações, dentre elas a difusão do abaixo-assinado “Somos contra o Projeto Santa Quitéria! Pela não exploração da Mina de Itatiaia e pelo fim do Programa Nuclear Brasileiro”. Durante o Fórum Social Temático em Porto Alegre, Chico Whitaker estará em frente ao Auditório Araújo Viana, no Parque Farroupilha, durante as tardes, divulgando este e outros documentos.

 

Para Chico Whitaker da Coalizão é preciso mais consciência do risco da mineração do urânio e exploração da energia nuclear para produção de eletricidade, tema complexo e de pouca visibilidade na mídia. “É uma insanidade”, resumiu, ao abordar o alto risco aos quais as comunidades estão sendo submetidas e o difícil controle dos impactos.

 

Whitaker abordou aspectos de um texto que produziu através do qual relaciona os impactos da radiação com o desastre em Mariana (MG) provocado pela Samarco/Vale/BHP Billiton. “Em Mariana um barro vermelho avançou, violenta e visivelmente, com um ruído surdo, empurrando e matando os moradores da área por ele invadida. Em explosões de usinas o ar, a água, a terra, as plantas, os animais do seu entorno são imediatamente contaminados por partículas radioativas, em quantidade muito maior do que o barro que estava retido pela barragem, mas não são detectadas por nenhum dos nossos cinco sentidos. Embora espalhadas pela explosão e pelo vento a grandes distâncias, só aparelhos especiais identificam sua presença. Os seres humanos nem percebem quando são por elas contaminados. E, depois, diferentes tipos de câncer e outras doenças os matam, lentamente,” afirma. Leia o texto completo "Se a radiação fosse vermelha..."

 

Assista:

Documentário produzido pelo Núcleo Tramas da UFC, em parceria com a Articulação Antinuclear do CearáDe Caetité (Ba) a Santa Quitéria (Ce) - As sagas da exploração do urânio no Brasil”.

 

EcoAgência

  
  
  
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