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Segunda-feira, 01 de Agosto de 2016

 
     

Ativistas brasileiros criam primeiro partido animalista da América Latina

  
O próximo passo será a coleta das 500 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o registro da legenda seja efetivado até 2018
  

Gelcira Teles    
Primeira reunião dos integrantes do Partido ANIMAIS


Por Gelcira Teles

Depois de sete meses de trabalho, um grupo de 101 ativistas veganos, integrantes de mais de 20 ONGs e protetores independentes de 17 estados do Brasil, fundaram o primeiro partido de defesa integral dos animais da América Latina. A partir da publicação do Estatuto e Manifesto no Diário Oficial da União, em 27 de julho, a Comissão Pró-Fundação do Partido ANIMAIS foi oficializada e já se organiza para a coleta das 500 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o registro da legenda seja efetivado até 2018. Em breve, serão lançadas página na internet e redes sociais, com FAQ e cadastro para os interessados em contribuir.

Há 10 partidos animalistas na Europa, um nos EUA, um no Canadá e um na Austrália, além da Coalizão Europeia – que reúne representantes de sete países. Não há referências de partidos dedicados à defesa dos animais afora os países citados, ou na Ásia e África, por exemplo. Com razoável precisão, o Partido ANIMAIS é o 14º do mundo, conforme dados levantados pelo jornalista Maurício Kanno (SP), Articulador Internacional de ANIMAIS.

 

Segundo a jornalista Carolina Mourão (DF), uma das idealizadoras da legenda e Articuladora Executiva do partido, os ativistas pelos direitos animais constituem o maior movimento nas redes sociais, mais ainda são desafiados quanto ao seu potencial político. “Montamos um grupo técnico de altíssimo nível. Juntos entregamos esse projeto à sociedade, que nos refina como seres humanos e promove o debate da libertação dos animais explorados como matriz econômica no Brasil. De forma oficial, o Partido ANIMAIS será a ferramenta que vai estabelecer este debate no Parlamento, enquanto poderemos obter conquistas definitivas e graduais rumo à abolição da escravidão animal”, explica. 

 

Frank Alarcon (DF), biólogo molecular e porta-voz de ANIMAIS, evidencia que reflexão ética e a defesa dos vulneráveis constituem a matriz de pensamento do partido. “Entendemos que a dimensão do outro é o limite da nossa. Portanto, enxergamos nos animais não-humanos e no meio ambiente circundante importantes atores em nossas relações de convivência e respeito”. O objetivo do partido, segundo ele, é defender e garantir à dimensão animal o justo usufruto de suas necessidades mais fundamentais, tais como vida digna em completa liberdade, dotada de plena integridade física e psíquica, com franco acesso à sua ambientação ecológica originária e à espontânea manifestação de suas características inatas. “Queremos construir no país uma realidade respeitosa, ética e legislativamente justa com todas as representações biológicas – sejam elas observadas em espaço urbano, rural ou selvagem; sejam elas humanas ou não-humanas”, complementa.

 

Desde a Declaração de Cambridge (2012), na qual um grupo de renomados cientistas reconheceu que diversos animais possuem consciência, os defensores dos direitos animais têm contabilizado avanços históricos. O Partido Animalista (PACMA), da Espanha, passou dos 0,87% de votos alcançados em 2015 a 1,19% em 2016, enquanto o Parlamento Europeu acabou com os subsídios para as touradas. Na Itália, a nova prefeita de Turim, Chiara Appendino, quer promover novos hábitos veganos como prioridade de sua administração. Também em 2016, o FBI passou o abuso de animais para uma nova categorização, tipificando como crime contra a sociedade.

Em uma frase popularmente atribuída a Platão, diz-se que aqueles que não se envolvem ou se interessam por política estão condenados a ser governados por aqueles que por ela se interessam, lembra Alarcón, ao fazer um chamamento aos que quiserem aderir ao partido. “Convidamos todos que buscam o cultivo da paz, da não-violência e do respeito, a trilhar conosco este percurso que se inicia. Os proponentes do partido têm o desafio de defender aqueles que têm sido silenciados na longa história da exploração praticada pelo homem, no Brasil e no mundo. Junte-se a nós! Lute conosco! Somos ANIMAIS!”

 

Organização de ANIMAIS
O convite para a construção coletiva do Partido ANIMAIS foi feito por Carol Mourão, em 18 de dezembro de 2015.  Com a presença de 20 pessoas, entre técnicos, advogados e ativistas, a primeira reunião foi realizada em 13 de fevereiro, na Câmara de Vereadores de São Paulo. Seguiram-se reuniões online em 30 de março, 11 de abril e 11 de julho, quando ativistas de todo o Brasil uniram-se à iniciativa. Durante o período, os fundadores da legenda debateram o Estatuto e o Manifesto (Programa) e elegeram sua primeira Comissão Executiva, composta por 10 articulações.

 

Nominata da Executiva:
Porta-Voz - Nicole Puzzi (SP) e Frank Alarcón (RJ)
Executiva - Carolina Mourão(DF)  e Alexandre Gorga (DF)
Organização - Fátima Prudente (SP) e Alexandre Terreri  (SP)
Comunicação - Gelcira Teles (RS)
Jurídico - Eduardo Barcelos (MG)
Parlamentar - Natasha Machado (DF)

Internacional - Maurício Kanno (SP)
TI - Luciano de Lazari (RS) e Gabriel Montenegro (DF)
Financeiro - Sylvia Maria (DF) e Viviane Reis Nogueira (RJ)
Movimentos Sociais - Teresa Botarro (DF) e Rafael Shinnishi (SP)

- 17 estados representados no Partido ANIMAIS: AC, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PE, PI, RJ, RN, RS, SP, TO

- COMISSÃO PRÓ-FUNDAÇÃO DO PARTIDO ANIMAIS (Brasília). Programa e Manifesto: Estatuto. 2016. Disponível em:< http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=161&data=27/07/2016>

 

  
  
  
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