Untitled Document
Bom dia, 23 de nov
Untitled Document
Untitled Document
  
EcoAgência > Notícia
   
Agrotóxicos

Terça-feira, 10 de Março de 2015

 
     

Mulheres da Via Campesina entregam ao MP denúncias de uso abusivo de agrotóxicos no RS

  

Auditório da Assembleia Legislativa lotou no protesto das trabalhadoras contra a utilização nas grandes propriedades de venenos até mesmo proibidos em seus países de origem 

  

Leandro Molina    
Representado no evento, o Ministério Público assumiu o compromisso de instaurar inquérito e apurar as denúncias


Por Leandro Molina/AL

Mulheres trabalhadoras da Via Campesina entregaram ao Ministério Público Estadual, na tarde desta terça-feira (10), uma série de denúncias contra o uso abusivo de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. Os documentos que pedem providências contra o uso indiscriminado de veneno nas lavoura, afetando pessoas e pequenas propriedades em diversas regiões, foram entregues durante debate organizado pelo gabinete do deputado Edegar Pretto (PT) em conjunto com a Via Campesina, no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.

Mais de mil pessoas lotaram o auditório. “Essa é uma atividade de denúncia do que os agrotóxicos causam na vida das pessoas, tanto de quem produz alimentos, que somos nós que estamos lá no campo, como de quem consome os alimentos”, afirmou uma das coordenadoras da Via Campesina, Adriana Mezadri. Foram apresentados vídeos e relatos das condições de vida de famílias que enfrentam o problema, principalmente em assentamentos da reforma agrária.

Usado em grandes propriedades, o veneno atinge pequenos agricultores, com prejuízo à saúde e à produção orgânica. Um dos principais problemas está em áreas com pequenas propriedades cercadas por lavouras de soja. A pulverização aérea e terrestre atinge diretamente a produção orgânica. “Esse ano fiz uma colheita de 60 quilos de mel. Em safras passadas colhia 400 quilos. Aí pergunto, temos alguma saída ou ficaremos de braços cruzados para esperar a morte?”, questionou Luiz Antônio Schio, assentado em Tupanciretã.

O deputado Edegar Pretto saudou a mobilização de movimentos sociais, ativistas, ambientalistas e poder publico, que trabalham para conscientizar a sociedade sobre riscos do agrotóxico na produção de alimentos. “Essa mobilização é em nome do povo gaúcho, num pedido de socorro em defesa da vida e do ambiente”, alertou o parlamentar. O deputado ainda ressaltou que as denúncias precisam ter sequência, com punição e fiscalização aos que usam agrotóxicos sem controle.

Neste sentido, o procurador de justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público gaúcho, Carlos Paganella, disse que os promotores vão separar as informações das denúncias e terão a missão de instaurar inquérito civil, ouvir as vítimas e produzir provas para reparação ao meio ambiente e saúde das pessoas. “Também vamos buscar o ressarcimento das despesas médicas e a condenação por dano moral coletivo para esses casos de intoxicação por pulverização de agrotóxico”, acrescentou.

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Conforme Adriana Mezadri, considerando as quantidades usadas nas lavouras brasileiras, cada brasileiro consome, em média,  5,2 litros de agrotóxicos por ano, sendo que no RS a média aumenta para 11 litros por ano. “É uma quantidade absurda, por isso a Via Campesina denuncia esse modelo de agricultura que não produz alimentos saudáveis e contamina o meio ambiente”, afirmou.

Segundo ela, os principais responsáveis pelo uso tão intensivo de agrotóxicos no Brasil são grandes empresas multinacionais que lucram com isso, vendendo, inclusive, produtos que são proibidos em seus países de origem, como o 2,4 D, que continua sendo aplicado nas lavouras brasileiras: “Em algum lugar eles têm que vender esses venenos, e vendem aqui”, denunciou a trabalhadora.

Várias entidades participaram do evento, como a Pastoral da Juventude Rural, Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, MST, Cpers, Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Pequenos Agricultores, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento das Mulheres Camponesas e também o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJRS), que enviou uma nota de “integral apoio” à manifestação, lida durante o debate. 

* Com edição da EcoAgência

AL/EcoAgência

  
  
  
Untitled Document
Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
Mais Lidas
  
Untitled Document
 
 
 
  
  
  Untitled Document
 
 
Portal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul - Todos os Direitos reservados - 2008