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Hidrelétricas

Quinta-feira, 14 de Outubro de 2021

 
     

Estudos denotam a incontornável escuta das comunidades locais da Bacia Amazônica

  

Pesquisadores apresentaram os impactos já registrados, os riscos impostos em projetos como o do barramento do Rio São Luís do Tapajós e a diferença significativa que o planejamento estratégico pode fazer ao considerar os impactos cumulativos dos 350 projetos inventariados

  

Captura de tela    
Painel sobre “Barragens e impactos socioambientais”


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

O segundo painel do Evento Amazônia Interdisciplinar 2021 sobre “Barragens e impactos socioambientais” foi transmitido ao vivo, hoje (14/10), pelo canal do Conexões Amazônicas no Youtube.

Considerando a política vigente de expansão hidrelétrica na Bacia Amazônica, pelos governos do Brasil e países vizinhos como Peru, Bolívia e Equador,  a saturação de barramentos nos rios das regiões Sul e Sudeste do país bem como parte importante da Centro-Oeste, o estudo de Rafael Almeida, que é biólogo, pós-graduado em Ecologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador de pós-doutorado na Cornell University (Estados Unidos), ressalta a urgência na observação dos impactos cumulativos das barragens para direcionar a aprovação ou não dos 350 projetos inventariados. Entre as variáveis a serem consideradas, está a comparação entre o cálculo da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) de cada projeto com outras fontes renováveis, já que hidrelétricas podem ser tão poluentes como fontes fósseis. Demonstrou como o planejamento estratégico desenvolvido é capaz de propor soluções coerentes neste contexto de mudanças climáticas e de urgente redução das emissões de GEE à atmosfera.

Na convergência com Almeida, que destacou a imprescindível discussão ampla sobre os vários impactos ambientais e sociais das barragens, o professor titular do Dep. de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Renato Silvano, citou os impactos já conhecidos pela ciência: mudanças no ciclo hidrológico, interrupção de rotas migratórias de peixes, redução na carga de nutrientes e sedimentos e efeitos nos peixes e na pesca artesanal. Este rol associado às características dos rios amazônicos, como variação sazonal, e ao sistema socioecológico, caracterizado pela pesca como fonte de alimento, renda e cultura dos povos, evidencia as ameaças que os barramentos representam.

Silvano explicou que a distribuição das barragens no bioma amazônico já resulta em diversos problemas e, a forma de precaver-se seria realizar mais estudos antes da construção das barragens. Para ilustrar, citou a pesquisa a partir do conhecimento de 300 pescadores em nove comunidades sobre os efeitos da barragem de Tucuruí na abundância de peixes. Entre as conclusões, está a possível extinção regional do jaraqui, um peixe migrador, no baixo Rio Tocantins.

Apontamentos também foram apresentados por Silvano com relação ao projeto de construção da hidrelétrica no Rio São Luís do Tapajós. O estudo ouviu 171 pescadores em 17 comunidades e foi publicado em 2020. Encontraram um número maior do que o divulgado de comunidades que seriam afetadas e, a evidência de efeitos sobre quase todas as 26 espécies de peixes mais relevantes para a população regional.      

O discurso do apagão elétrico de 2001, em voga neste momento, bem como o discurso do progresso e desenvolvimento a ser proporcionado pela construção das mega hidrelétricas na Amazônia, foram problematizados pelo professor da Universidade do Estado do Pará, Sérgio Corrêa. A partir de dados da sua pesquisa sobre a construção de Belo Monte, descreveu o histórico de luta e resistência dos povos da Volta do Xingu, área dramaticamente afetada não obstante os alertas e denúncias viessem sendo feitos desde 1981. Corrêa lembrou que a existência de Belo Monte está associada ao também megaprojeto de mineração de ouro a céu aberto da empresa canadense Belo Sun Corp, cujo processo de licenciamento ambiental está em tramitação.

Para assistir este segundo painel do Evento Amazônia Interdisciplinar 2021, acesse:  https://www.youtube.com/watch?v=A0xGjUS0TEw

O terceiro e último painel do Evento neste ano vai acontecer em 18 de novembro sobre “Impactos antrópicos contados pelos peixes”. Mais informações podem ser obtidas na página do Conexões Amazônicas.  

 

Leia também:

Evento expõe múltiplos olhares sobre os impactos climáticos na Amazônia

 

 

EcoAgência

  
  
  
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