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Observatório de Jornalismo Ambiental

Segunda-feira, 04 de Outubro de 2021

 
     

Jornalismo e o “haboob” à brasileira

  

Análise destaca o trabalho de reportagem da BBC News Brasil que relaciona as características dos locais atingidos, como grandes porções de solo seco e sem cobertura vegetal, ao agronegócio e ao desmatamento 

  

Captura de tela de site da BBC Brasil    


Por Míriam Santini de Abreu*

As fotografias e vídeos da tempestade de poeira que atingiu 25 cidades do nordeste de São Paulo e do Triângulo Mineiro no dia 26 de setembro, com nova ocorrência em 1º de outubro, varreram as mídias sociais. O “haboob” – nome dado pelos meteorologistas para as tempestades de areia nas regiões mais áridas do planeta – pautou os veículos de comunicação, com destaque para a reportagem da BBC News Brasil assinada pelo jornalista João Fellet e intitulada “Desmatamento e modelo agrícola aumentam risco de ‘tempestade de poeira’”. A notícia, em https://bbc.in/3zVYvIc, aborda a relação do fenômeno com a existência de grandes porções de solo seco e sem cobertura vegetal na região, onde há forte presença do agronegócio.

A notícia traz quatro imagens de satélite, cinco fotos e um mapa dos remanescentes de vegetação natural em São Paulo em 2008/2009 revelando que a concentração do que restou está no litoral do estado. Três fontes – o coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas, o presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo e o diretor técnico da Unica, principal associação que representa o setor de cana-de-açúcar no Brasil – desenvolvem o argumento. O repórter consultou ainda o Relatório de Qualidade Ambiental 2020 feito anualmente pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do governo de São Paulo e o Censo Agropecuário de 2017.

Um destaque da notícia é a menção ao Dust Bowl, como foi chamada a série de tempestades de poeira que atingiram o sul dos Estados Unidos nos anos 1930, quando milhões de hectares de terras antes consideradas férteis se tornaram inaptas para a agricultura. A notícia não imerge no espaço geográfico onde ocorreu o “haboob” à brasileira, mas, ao se apresentar como aprendiz de agrofloresteiro e meliponicultor em sua conta no Twitter, o repórter João Fellet – @joaofellet – faria bonito ao desenvolver a pauta in loco e de lá trazer uma baita história.

Com relação ao tema cabe mencionar também o trabalho feito pela AFP no “Checamos”. A agência verificou sete imagens de tempestades de poeira compartilhadas mais de 40 mil vezes nas redes sociais de 26 a 28 de setembro vinculadas ao fenômeno e constatou que ao menos três eram anteriores ao fato e algumas sequer haviam sido feitas no Brasil – em https://bit.ly/3omIOrr. Uma das mais compartilhadas era de uma tempestade ocorrida em Phoenix, no estado do Arizona (Estados Unidos), em 2 de agosto de 2018 e creditada ao fotógrafo Jerry Ferguson. Essa foto foi usada até para montagem do conhecido meme do cão caramelo, em https://bit.ly/3oqhM2r. Os comentários nesta postagem, parte deles de moradores da região atingida no dia 26 de setembro, revelam a preocupação com o fenômeno, suas causas e consequências, apontando caminhos para mais pautas aprofundadas sobre o fato que, neste domingo (3), também foi abordado nos programas “Fantástico” e “Cidades e Soluções”, da Rede Globo, com pauta alinhada à da notícia da BBC News Brasil.

 

 

*Texto produzido no âmbito do projeto de extensão "Observatório de Jornalismo Ambiental" por integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). A republicação é uma parceria com o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS). Míriam Santini de Abreu é jornalista, especialista em Educação e Meio Ambiente, mestre em Geografia e doutora em Jornalismo.

 

 

 

 

 

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