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Raíssa Genro |
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| Diálogos foram considerados monólogos por ONGs |
Por Raíssa Genro, especial para a EcoAgência de Notícias Organizado pelo Instituto Vitae Civilis dentro da programação da Cúpula dos Povos, a tenda Vasconcelos Sobrinho foi palco nesta terça-feira (19) de uma avaliação dos Diálogos sobre o Desenvolvimento Sustentável (DDS), que se encerrou hoje. Os Diálogos foram reuniões temáticas preparatórias para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com o objetivo de aprofundar e difundir o debate sobre a sustentabilidade mundial.
A proposta inicial do espaço na programação da Rio+20 era ser o ponto em que sociedade civil, movimentos sociais e governos pudessem conversar para redigir o texto que será a base das discussões da Conferência. Pessoas do mundo inteiro foram chamadas a identificar e eleger prioridades em dez temas relacionados ao desenvolvimento sustentável, firmando dessa forma a ideia do governo brasileiro de reunir propostas concretas para a Rio+20.
Os DDS foram anunciados pelo governo brasileiro como uma inovação da Rio+20, uma vez que se propunha a ser o espaço no qual muitos segmentos sociais poderiam influenciar o processo oficial de negociação com chefes de Estado, que ocorre no final da Conferência, entre 20 e 22 de junho. Mas toda esta inovação e expectativa não foi correspondida. A avaliação de Aron Belinky, da organização Vitae Civilis, foi de que faltou clareza, e a própria metodologia foi responsável por enfraquecer o processo. No período que antecedeu os DDS, as organizações não-governamentais optaram por não participar da atividade, por entender tratar-se muito mais de um monólogo do que um espaço para o efetivo debate.
Joice Brandão, da WWF Brasil, avaliou que o tempo estimulado para participação dificultou o desenvolvimento das propostas, assim como a votação pela internet. "Muitas partes não foram comtempladas", destacou Joice. Fernando Iglesias, da coordenadção do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), alertou para a ironia de que, antes mesmo do final dos Diálogos, boa parte do documento final que será base para a Rio+20 já estava pronto. O fracasso dos Diálogos, porém, não é considerado unânime. Wagner Machado, geógrafo da USP que esteve presente durante o evento, ressaltou que "uma reunião multilateral entre chefes de estado e a população é, sim, louvável, por sua iniciativa". Para o Vitae Civilis, a principal falha ficou por conta das discussões dos DDS estarem descoladas daquelas que aconteceram nos processors autônomos, em especial na Cúpula dos Povos.
Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais
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