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Contaminação química

Sábado, 23 de Maio de 2015

 
     

Vazamento em fábrica de celulose confirma suspeitas da Agapan

  

 Moradores próximos à fábrica relatam acordar com olhos irritados e manifestam preocupação

  


Por Heverton Lacerda, Agapan

O vazamento de Dióxido de Cloro ocorrido na manhã da última quarta-feira feira (20) na planta química da fábrica Celulose Riograndense (CMPC), em Guaíba (RS), reforça o indício de grande perigo que a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) tem alertado há algum tempo.

Em nota de esclarecimento, a empresa CMPC afirma que “o incidente – que durou cinco minutos – foi provocado por um aumento de pressão numa linha de gases, impactando 16 prestadores de serviços que trabalhavam no local”. Segundo as informações, dez prestadores foram encaminhados para atendimento hospitalar e liberados em seguida. A área foi isolada pelo plano de emergência e “a situação foi normalizada”, afirma a nota. 

O comunicado diz, ainda, que “o vazamento foi local e não foram registrados impactos externos que afetassem à comunidade ou qualquer tipo de dano à fauna e à flora local”. No entanto, moradores dos arredores relatam terem acordado com olhos irritados hoje pela manhã e acreditam ser efeito do Dióxido de Cloro vazado da fábrica.

Conforme dados levantados pelo químico e geneticista Flávio Lewgoy, conselheiro da Agapan, com a quadruplicação da fábrica de celulose, que teve investimento financeiro na ordem dos R$ 5 bilhões, as emissões de elementos químicos para a atmosfera e para o lago Guaíba são extremamente preocupantes. Segundo Lewgoy, as lagoas de tratamento de efluentes líquidos da fábrica lançarão aproximadamente 1.920 toneladas de clorofórmio por ano. Diariamente, serão lançados no ar 91 kg de flúor, 309 kg de cloro gasoso e 123 kg de cinza finíssima inalável. Já o Guaíba deverá ser impactado com até 180 toneladas diárias de organoclorados mutagênicos e cancerígenos, 28,8 toneladas de cloreto de sódio e 792 gramas de mercúrio (aproximadamente 280 kg por ano).

O geneticista estima, ainda, que as emissões diárias da caldeira de força devem ficar na casa de 236g de flúor, 310g de manganês, 320g de zinco, 53g de chumbo, 81g de cromo e 270g de vanádio, entre outros elementos. As emissões diárias de dióxido de enxofre – que, em contato com outros elementos, pode gerar chuva ácida – podem chegar até sete toneladas. 

Segundo a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), as atividades de produção foram suspensas no local atingido até que a empresa apresente o relatório da ocorrência, medidas para a solução do problema e analise de risco. “Uma vez que a operação do sistema foi suspensa, não há risco iminente à população com relação ao fato ocorrido”, informa nota divulgada pela Fundação.

Riscos
Segundo o parecer da empresa DNV Energy Solutions (001/2007) que analisa e determina o índice de risco da fábrica, onde foram estudados - com base no Manual de Análise de Riscos da Fepam-RS - os sistemas e as substâncias perigosas envolvidas no processo produtivo e que podem ser liberadas acidentalmente (cloro, ácido clorídrico, hidrogênio, dióxido de enxofre e gás liquefeito de petróleo), o valor identificado em relação ao risco de acidente com cloro foi de 38,19 pontos, quase dez vez mais a categoria máxima do manual da Fepam-RS, que é de apenas quatro. O índice igual ou maior do que quatro identifica “instalações e atividades que podem causar danos significativos em distâncias superiores a 500 m do local” onde fica localizada a planta.

Dioxinas
Outra preocupação da Agapan é em relação às dioxinas geradas pelo uso do cloro no processo de branqueamento na celulose adotado pela fábrica. As análises das amostras coletadas do efluente tratado e do lodo bruto (reunião de lodos saídos da prensa desaguadora) não são realizadas por laboratórios nacionais.

A dioxina é um subproduto industrial de certos processos, como produção de cloro, certas técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas que pode gerar câncer e causar mutações genéticas. 
 

  
  
  
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