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Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015

 
     

"Engajamento dos jornalistas é fundamental para termos informações qualificadas sobre as mudanças do clima"

  

Afirmação é da jornalista e professora Ilza Girardi, que foi debatedora da última edição do ciclo Mudanças Climáticas: o que você tem a ver com isso?, ocorrida nessa segunda (30)

  

Gitana Nebel    
Prof. Jalcione Almeida e prof. e jornalista Ilza Girardi


Por Débora Gallas - especial para a EcoAgência

O papel do jornalismo na mobilização popular e na prevenção de riscos foi o tema da terceira e última edição do ciclo de debates Mudanças Climáticas: o que você tem a ver com isso?, ocorrida na segunda-feira (30), na Sala Redenção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A atividade foi marcada pela exibição do documentário Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas, produzido pelo Greenpeace, e por debate conduzido pela jornalista e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS Ilza Girardi e mediado pelo professor Jalcione Almeida, docente dos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e em Desenvolvimento Rural da UFRGS.

O encontro iniciou com a exibição do filme que discute o impacto das ações humanas sobre a atmosfera terrestre e apresenta os eventos extremos que vêm ocorrendo no Sul do Brasil há mais de dez anos, como o Furacão Catarina (tempestade que atingiu a cidade de Torres em 2004), como evidências do aumento da temperatura do planeta. Na sequência, Ilza contou que, ainda quando assistiu o lançamento do documentário em 2006, sofreu uma sensação de impotência, pois a abordagem alarmista do noticiário já assustava o público. Criticou, neste sentido, o desserviço da mídia, que busca lançar medo à população, e defendeu o papel social do jornalismo, que definiu como “atividade fundamental na sociedade democrática”. Diante da mobilização dos cidadãos, o jornalismo deve pressionar o poder público por mudanças, defendeu a professora.

Ilza, que é membro-fundadora do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental UFRGS/CNPq, afirmou que o risco é construído socialmente e não é percebido facilmente, e que, portanto, o jornalismo deve colaborar nesse processo. A professora questionou o silêncio da mídia corporativa frente à responsabilidade do poder público e privado sobre tragédias como o rompimento de duas barragens de rejeitos de mineração em Mariana (MG), em cinco de novembro último, e apontou o patrocínio de grandes empresas como prejudicial à independência dos veículos. A jornalista também apontou os obstáculos nas rotinas produtivas dos jornalistas e a falta de apoio ao jornalismo alternativo ao hegemônico.

Segundo a professora, as soluções possíveis envolvem o fortalecimento de associações e entidades de jornalistas independentes que contraponham a informação da mídia hegemônica; a formação de novos leitores através da educomunicação; e o incentivo à comunicação comunitária. Baseando-se no pensamento do jornalista uruguaio Victor Bacchetta, Ilza salientou que o jornalismo deve ser marcado pelo engajamento, e que os profissionais devem trabalhar em parceria com os movimentos sociais a fim de se fortalecerem frente às limitações impostas pelo poder econômico.

Durante o debate, o público defendeu a adoção de ações locais, como projetos de conscientização ambiental dentro da própria UFRGS. Conforme a avaliação dos presentes, a Universidade ainda deixa a desejar em relação a assuntos considerados triviais, como a separação do lixo. Os participantes do debate também ressaltaram a importância de iniciativas de regulamentação da mídia para descentralizar o domínio da informação. As atividades de comunicação das ONGs e entidades, segundo Ilza, podem contribuir para a geração de informações qualificadas.

O debate também ressaltou que o próprio documentário do Greenpeace pautou a discussão sobre mudanças do clima antes mesmo da divulgação do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), em 2007, que estimou aumento médio de 2ºC na temperatura terrestre até o final do século XXI. O professor Jalcione questionou o discurso da sustentabilidade adotado pelo mercado e, frente a essa perspectiva, defendeu “iniciativas mais autônomas e localizadas de discussão e de luta”, em um processo de maior horizontalidade. “A informação é sempre libertadora, pois ajuda a apontar caminhos,” sintetizou Ilza.
 
Ciclo
O ciclo Mudanças climáticas: o que você tem a ver com isso? buscou discutir o tema com vistas à realização da Conferência das Partes (COP 21) pela ONU em Paris (França) no mês de dezembro. A atividade foi promovida pelo Grupo de Pesquisa TEMAS (Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade), no âmbito do projeto “Mudanças Climáticas e as políticas da natureza: rumo a um turning point?”, com apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, por meio do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental, e do GPACE (Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento).

A primeira edição do ciclo debateu as agendas do poder público e da sociedade civil diante das mudanças climáticas e contou com as participações do biólogo e professor da UFRGS Paulo Brack e da analista ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM/RS) Sabrina Feltes. O segundo encontro, conduzido pelo professor da UFRGS e pesquisador integrante do IPCC, Jefferson Cardia Simões, debateu o papel da comunidade científica no enfrentamento às mudanças do clima e no subsídio às políticas públicas para mitigação e adaptação das populações.

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