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Domingo, 13 de Abril de 2014

 
     

Ambientalistas gaúchos rendem homenagem a Augusto Carneiro

  

 Homenagem foi realizada na Feira dos Agricultores Ecologistas, na mesma banca em que o ambientalista vendeu seus livros durante décadas.

  

EcoAgência-NEJ/RS    
Ex-presidente da Agapan, Celso Marques, na homenagem a Augusto Carneiro


Por Juarez Tosi, para EcoAgência de Notícias

O homem que conseguiu unir o discurso ecológico à prática. Assim pode ser definido o ambientalista Augusto Carneiro, falecido há cerca de uma semana e que foi homenageado nesse sábado (12), na Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE). Dezenas de ambientalistas e representantes de entidades participaram do ato na Feira que ele ajudou a fundar, em 1989, no Bairro Bom Fim, em Porto Alegre. 

A homenagem comoveu os participantes, principalmente pela importância que Augusto Carneiro tinha em relação a questão ambiental. Augusto Carneiro foi um dos fundadores e primeiro secretário da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), criada em 1971. A mesma banca, que durante décadas serviu como exposição para os livros que o ambientalista vendia na Feira, foi usada para colocar algumas de suas lembranças. 
 
Augusto Carneiro era um dos últimos expoentes vivos de uma geração que colocou a questão ambiental na ordem do dia, enquanto a maioria dos ativistas era calada pela ditadura militar. Participaram dessa geração também José Lutzenberger, Hilda Zimmermann e Giselda Castro (todos falecidos), Magda Renner, Flávio Lewgoy, Sebastião Pinheiro, entre outros. Em outubro de 2007 ele foi homenageado pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), durante a realização do II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA), em Porto Alegre.

A filha de Hilda Zimmermann, outra ambientalista histórica e que faleceu no ano passado, Lívia Zimmermann, lembrou que o movimento ecológico no Rio Grande do Sul surgiu de um grupo de naturistas, que se apaixonou pela ecologia. Ela, que conheceu o Carneiro ainda criança, nas reunião que realizava, juntamente com José Lutzenberger, na casa de seus pais, em Torres, destacou a importância que todo o grupo teve na criação do Parque da Guarita. O Carneiro ficou meses morando em Torres, sem receber nada pelo seu trabalho. Ele que mantinha o seu sustento e do Lutzenberger, confidenciou. 

Já o representante da FAE, agricultor Pedro José Lovatto, destacou ter sido um privilégio a convivência com Augusto Carneiro. E lembrou que em 1972, quando jovem na cidade de Farroupilha, ouvia muito falar em Lutzenberger. Um dia veio a Porto Alegre para tentar falar com o Lutz, mas foi encaminhado para o Carneiro, no seu apartamento, na Rua da República. “Foi um encontro que marcou minha admiração por esse ambientalista”, acrescentou. “Fui muito bem recebido. Voltei impressionado para Farroupilha. Na época, como todos os demais agricultores, trabalhava com agrotóxicos. Levei os ensinamentos dele para a minha cidade e me tornei o primeiro agricultor da região a trabalhar com agricultura orgânica”.

Essa também foi a tônica da fala do ex-presidente da Agapan e atual monge zen budista, professor Celso Marques.  Segundo Celso Marques, Carneiro sempre contava que quando criança, via quatis, capivaras e outros animais do mesmo porte em Porto Alegre. “E o lixo, um dos grandes problemas da atualidade, não havia naquela época. Quase todos os habitantes da capital gaúcha moravam em casas e reaproveitavam os restos de alimentos, muitas vezes enterrando para adubar suas hortas”.

Durante boa parte da manhã outras pessoas se revezaram ao microfone, rendendo homenagens a esse ambientalista que sempre será lembrado pelo que realizou em benefício do meio ambiente. Augusto Carneiro faleceu no último dia 7, aos 91 anos de idade.

Para conhecer melhor a vida de Augusto Cunha Carneiro, segue a sugestão de três livros:

A História do Ambientalismo  (Sagra Luzzatto, 2003), de Augusto Carneiro;

Pioneiros da Ecologia (Já Editores, 2007), de Elmar Bones e Geraldo Hasse;

Augusto Carneiro, depois de tudo um ecologista (Pelo Planeta/Scortecci Editores, 2003), de Lilian Dreyer.
 
Veja aqui o belo vídeo produzido e editado pela jornalista Clarinha Glock.
 
 
 
 
EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais

  
  
  
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