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Terça Ecológica

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

 
     

Dia do bioma Pampa se aproxima, mas até quando ele vai resistir?

  

A Terça Ecológica convidou a bióloga Luiza Chomenko para contar a realidade do bioma presente em um único estado brasileiro e o menos protegido: "A transformação do bioma já limita, talvez a sua principal característica: a do ver ao longe, a horizontalidade, a imensidão.” 

  

Débora Gallas    
Luiza Chomenko convidada da Terça Ecológica


Por Eliege Fante - especial para a EcoAgência

Perguntando “Que Pampa queremos?” e “Até quando vamos ter Pampa?”, a bióloga e doutora em Ecologia Luiza Chomenko, servidora da SEMA-RS, abordou as transformações estruturais e a importância da preservação do bioma campestre na Terça Ecológica do Núcleo de Ecojornalistas do RS. O evento, alusivo ao Dia do Bioma Pampa celebrado em 17 de dezembro, aconteceu ontem (12) na Fabico/UFRGS e também teve o apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD).

A resposta a estas questões se encontra tanto entre a necessidade (ainda) de se conhecer o bioma quanto na de realizar uma gestão ambiental compartilhada com uma sociedade pró-ativa. “Os serviços ambientais não são valorizados, os modelos de desenvolvimento implantados não são compatíveis com as características do Pampa,” disse Luiza. Ela explicou que o variado mosaico que revela as distintas paisagens pampianas é o que mantem os habitats para milhares de espécies, desde microscópicas, até as de mamíferos, que são mais conhecidas. “Há espécies de aves que migram do Alasca para o Pampa, por exemplo, completando o seu ciclo vital. Ao reduzirmos o ambiente, provocamos o risco de extinção às espécies importantes globalmente,” alertou. Há o trânsito de aves também entre o Pampa e o Cerrado brasileiro, assim como de peixes entre o RS e o sul da Argentina, o que evidencia a gravidade da implantação de políticas públicas que desrespeitam a ecologia dos ambientes e o funcionamento dos ecossistemas. Entre essas políticas equivocadas, estão os incentivos do Governo Sartori (PMDB) às monoculturas como de soja, de eucaliptos e pinus, à mineração no Rio Camaquã em Caçapava do Sul pela Votorantim, bem como a barragens e termoelétricas. Os impactos decorrentes são a supressão da vegetação nativa (campestre), uso intensivo de agrotóxicos e facilitação à entrada de espécies invasoras.

As consequências desta falta de conhecimento e decisões políticas equivocadas são as responsáveis pela deterioração do ambiente natural, do desperdício da sua riqueza que podia ter usos econômicos, uma vez que o bioma fornece matérias-primas, frutos nativos, plantas ornamentais, abelhas sem ferrão, possibilita a pecuária extensiva, etc., e serviços ambientais como sequestro de carbono, controle de erosão e de enchente. “A perda do patrimônio pampiano se evidencia através da perda de identidades, como a do gaúcho, com a falta de incentivo à permanência no ambiente rural, daí a perda do patrimônio cultural, histórico, arquitetônico. A transformação do bioma já limita, talvez a sua principal característica: a do ver ao longe, a horizontalidade, a imensidão,” relatou sobre os impactos e as queixas que ouve em contato com os habitantes do entorno, principalmente, das maciças lavouras de eucalipto, pinos e acácia.

Para Luiza, outro desafio em frente é conectar a política ambiental às demais políticas públicas, principalmente à econômica. Na sua avaliação, o modelo de desenvolvimento vigente está acabando com os suportes naturais e, desta maneira, reduzindo a capacidade da vida. A bióloga apela para a compreensão do valor da biodiversidade para a existência humana e a conservação do bioma Pampa. Neste sentido, ela é uma das pesquisadoras empenhadas na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 05/2009 que está na pauta do Senado aguardando votação e é de autoria do Senador Paulo Paim (PT). Quando for aprovada, será alterado o parágrafo 4º do artigo 225 da Constituição Federal, garantindo o reconhecimento como Patrimônio Nacional, e a devida proteção constitucional, ao bioma Pampa (ou Campos Sulinos) assim como aos biomas Caatinga e Cerrado. Os biomas Amazônia, Mata Atlântica, Costeiro e Pantanal já estão contemplados.

EcoAgência

  
  
  
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