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Mata Atlântica

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

 
     

Mamíferos ameaçados de extinção serão mais conhecidos na Mata Atlântica

  

Projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza pretende conhecer para melhor preservar o habitat dos animais de médio e grande porte.

  

Mico-leão-dourado, uma das espécies animais da Mata Atlântica ameaçadas de extinção


Por Maria Luiza Campos/Ronan Pierote - NQM

Os mamíferos terrestres de médio e grande porte que estão ameaçados de extinção no litoral paranaense – como onça-parda, cachorro-vinagre, cateto e jaguatirica – vão ser mais conhecidos. Essa é a grande proposta do projeto Status de mamíferos de médio e grande porte ameaçados de extinção em áreas protegidas de Floresta Atlântica costeira do litoral do Paraná, realizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O estudo, que teve início em 2009, já com o apoio da Fundação Grupo Boticário, avalia a ocorrência e a distribuição dos mamíferos de médio e grande porte nos diferentes tipos de habitat na Floresta Atlântica costeira, dentro de quatro Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs): Salto Morato – mantida pela Fundação Grupo Boticário, Morro da Mina, Rio Cachoeira e Serra do Itaqui. “Em outras palavras, queremos saber quais deles estão presentes em cada RPPN e em que locais exatamente eles se localizam”, diz Roberto Fusco-Costa, responsável técnico pelo projeto, doutorando e coordenador de projetos científicos do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC).

Ao final do projeto, o pesquisador repassará os resultados do estudo para cada reserva, junto com recomendações e orientações para que os gestores dessas unidades de conservação continuem o monitoramento dessas espécies a longo prazo. “Para os gestores das reservas, é importante saber onde as espécies estão localizadas, para que esses locais possam ser adequadamente protegidos. Por outro lado, a falta de animais em outras áreas pode indicar que estas regiões estejam sofrendo pressões, como a caça, e que por isso a fiscalização precisa ser intensificada ali”, explica Fusco.

Até o momento, foram detectadas mais de 20 espécies de mamíferos de médio e grande porte nas quatro reservas estudadas e praticamente 50% delas estão ameaçadas de extinção. Onze guarda-parques experientes na identificação de mamíferos estão sendo orientados para a prática do monitoramento por meio de rastros. Na Reserva Natural Salto Morato, foram 15 as espécies detectadas, sendo que sete estão ameaçadas de extinção: anta, onça-parda, jaguatirica, cateto, paca, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno.

“Até agora estamos muito satisfeitos com os resultados preliminares da pesquisa. Existe um incentivo e colaboração muito grandes por parte das reservas estudadas”, afirma Fusco. A pesquisa terá conclusão em 2012 e também tem o apoio da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e parceria com os Laboratórios de Dinâmicas Ecológicas e de Biologia e Ecologia de Vertebrados da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Sensíveis indicadores

O pesquisador Fusco explica que os mamíferos de médio e grande porte foram escolhidos para esta pesquisa porque eles têm grande importância ecológica, estão entre as espécies mais sensíveis às alterações de habitat, e, consequentemente, a presença ou não deles pode indicar o grau de qualidade de conservação de uma determinada área.

Para sobreviver, alguns animais necessitam de grandes áreas conservadas. “Uma única onça-parda, por exemplo, pode precisar até de 15 mil hectares de área”, diz Fusco. No entanto, a vida desses animais é comprometida pela degradação da floresta e atividades ilegais de caça, que ainda ocorrem no litoral Paraná, inclusive dentro de unidades de conservação públicas e privadas.

A ausência dos mamíferos também pode desequilibrar os ecossistemas onde vivem. Felinos como a onça-parda, a onça-pintada e a jaguatirica estão no topo da cadeia alimentar, sendo que a ausência ou diminuição desses predadores pode prejudicar o controle das populações de suas presas. Já com a perda de herbívoros, como as antas e queixadas, a floresta deixa de ter um importante dispersor de sementes para contribuir na manutenção de diversidade de árvores.

A procura de mamíferos na floresta

A maioria dos mamíferos possui hábitos discretos e costuma sair de seus abrigos durante as horas crepusculares (final da tarde e início da manhã) e noturnas. Mesmo nestes períodos, é difícil visualizar esses animais no meio da floresta. Por isso, a melhor forma de identificar a presença deles é por meio dos vestígios que deixam pelo caminho, como restos de alimentos, rastros, fezes e pegadas.

O estudo realizado por Fusco utiliza duas técnicas para registrá-los. Uma é a instalação de armadilhas fotográficas em vários pontos das Reservas, que fazem imagens dos animais durante o dia e a noite. Outra técnica é a de observação e identificação de pegadas que ficam marcadas nas trilhas.

Para auxiliá-lo nos trabalhos de campo, Fusco selecionou funcionários das próprias reservas – os chamados guarda-parques – que são experientes na identificação de espécies de mamíferos por pegadas. Eles foram treinados e orientados para percorrer periodicamente algumas trilhas pré-definidas dentro das reservas e anotar em uma planilha os mamíferos cujas pegadas foram vistas. Os funcionários também receberam instruções para manusear as armadilhas fotográficas. “A intenção é fazer com que os próprios guarda-parques participem do monitoramento da fauna ao mesmo tempo em que praticam a fiscalização na unidade de conservação”, explica Fusco, que monitora os trabalhos mensalmente.

Pode acontecer de algumas espécies existirem numa determinada reserva, mas não serem detectadas ao longo do projeto. “A chance de um animal ser detectado, pode variar, além de outros fatores, com o ambiente, época do ano e até com as características biológicas de cada espécie, por exemplo, se existem poucos indivíduos de onça-parda na reserva, será bem mais difícil detectá-la. Da mesma forma, se o animal for muito esquivo, a probabilidade fica bastante reduzida”, explica Fusco.

Por isso, ele também realiza uma modelagem estatística. “Com base nas espécies detectadas, nós utilizamos a estatística para nos mostrar se existe uma maior probabilidade dela ocorrer na região. A estatística irá nos indicar se a espécie varia de acordo com o tempo, época do ano ou espaço. Esse modelo estatístico fornecerá uma estimativa mais confiável da riqueza e ocupação das espécies estudadas”, comenta o pesquisador.

Pesquisa na Reserva Natural Salto Morato

Uma das RPPNs alvo da pesquisa de Roberto Fusco-Costa é a Reserva Natural Salto Morato, de propriedade da Fundação Grupo Boticário. Em seus 2.253 hectares, a Reserva protege a rica biodiversidade e também tem um centro de pesquisas com alojamento e laboratório para oferecer suporte aos pesquisadores. Mais de 80 pesquisas já foram realizadas no local, incluindo teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de especialização, em assuntos diversos como biologia e ecologia de espécies de fauna e flora, análise do manejo da Reserva, visitação, trilhas, ecoturismo, bem como os que diretamente embasam as ações de manejo do patrimônio natural da Reserva.

Os pesquisadores interessados em realizar trabalhos na Reserva Natural Salto Morato podem acessar os procedimentos necessários e as normas para pesquisa no site: www.fundacaogrupoboticario.org.br, no item: “O que Fazemos” > “Áreas Protegidas” > “Reserva Natural Salto Morato”.

NQM/EcoAgência de Notícias

  
  
  
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Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
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