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Vida Marinha

Sexta-feira, 09 de Outubro de 2015

 
     

Impacto da acidificação é observado em fauna microscópica de ambientes recifais

  

Experimento no mesocosmo do Coral Vivo simulou as previsões do IPCC para os próximos anos e resultado está publicado na Springer

 

  

Projeto Coral Vivo    


Por Mercia Ribeiro e Tatyane Larrubia

Quais serão os efeitos do processo de acidificação dos oceanos no futuro? Uma pesquisa que acaba de ser publicada na revista científica Coral Reefs, da Editora Springer, avaliou como será a elevação dos níveis de acidez sobre a meiofauna do Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro (BA). Ela é composta por alta diversidade de animais marinhos, como crustáceos, poliquetas, tardigrádos e moluscos que medem menos de 1 milímetro e ocorrem em abundância associados às algas ou sedimentos. Tem papel importante na cadeia alimentar e apresenta rápida resposta às mudanças no ambiente.

 

Para simular as previsões de acidificação seguindo os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), os pesquisadores utilizaram o mesocosmo marinho do Coral Vivo - um sistema experimental com dezesseis tanques que recebem continuamente a água de um recife de coral. Foram coletadas 36 amostras de uma comunidade de meiofauna do Recife de Fora, que foram distribuídas nesses tanques e expostas aos tratamentos de acidificação por 15 e 30 dias. Atualmente, o pH dos oceanos está em torno de 8.1, e o experimento reduziu o pH da água do mar em 0.3, 0.6 e 0.9, por meio de injeção de gás carbônico de forma controlada.

 

Foram contabilizados 20.371 organismos da meiofauna nesse estudo. Como o ciclo de vida deles é curto, os pesquisadores puderam observar também os efeitos da acidificação nos descendentes gerados durante o experimento. Apesar de os indivíduos adultos de algumas espécies de poliquetas e crustáceos não sofrerem fortes impactos, os juvenis tiveram alta mortalidade associada à redução do pH.

 

“Percebemos que os organismos adultos parecem conseguir lidar mais facilmente com a acidificação. Entretanto, futuramente, poderá haver uma mudança na dinâmica dessas populações porque a fisiologia dos juvenis é muito mais sensível”, explica a bióloga Visnu Sarmento, doutoranda da Universidade Federal de Pernambuco, e membro da Rede de Pesquisas Coral Vivo, que conta com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque.

 

De acordo com os pesquisadores, os resultados desse experimento no mesocosmo corroboram sugestões anteriores de que a acidificação dos oceanos induz mudanças importantes nas comunidades do fundo do mar. “Considerando a importância da meiofauna na cadeia alimentar nos ecossistemas de recifes de coral, os resultados apresentados por esse estudo demonstram que o funcionamento desses ambientes está seriamente ameaçado pela acidificação dos oceanos”, avalia Visnu. Cabe destacar que os organismos da meiofauna consomem microalgas e bactérias, por exemplo, e, por sua vez, servem de alimento para animais maiores, como peixes e camarões, por exemplo.

 

Aproximadamente, 30% de todo CO emitido para a atmosfera pelas atividades humanas têm sido absorvido pelos oceanos.  A pesquisadora Visnu Sarmento destaca que essa captação de CO ajuda a moderar as mudanças climáticas, porém, quando o dióxido de carbono dissolve-se no oceano, reduz o pH e causa mudanças na bioquímica do oceano. Essa mudança, frequentemente chamada de acidificação dos oceanos, já está ocorrendo e é esperado que se intensifique no futuro. 

 

O que é um mesocosmo marinho?

O mesocosmo marinho do Projeto Coral Vivo, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, funciona como uma “máquina do tempo”. Resumidamente, ele é um sistema experimental projetado para simular os impactos futuros das mudanças climáticas e da poluição costeira, com uso de tanques e aquários que recebem um fluxo contínuo de água do mar diretamente de um recife de coral do Sul da Bahia. Ele foi projetado para manter as características físico-químicas da água do mar, e, assim, buscar resultados mais realistas. Ele é capaz de simular até três cenários futuros de aumento de temperatura ou de acidificação dos oceanos, de forma isolada ou combinados, de acordo com as previsões do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

 

Sobre o Projeto Coral Vivo

O Projeto Coral Vivo é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Ele faz parte da Rede Biomar, junto com os projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Tamar. Todos patrocinados pela Petrobras, eles atuam de forma complementar na conservação da biodiversidade marinha do Brasil, trabalhando nas áreas de proteção e pesquisa das espécies e dos habitats relacionados. As ações do Coral Vivo são viabilizadas também pelo copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque, e realizadas pela Associação Amigos do Museu Nacional (SAMN) e pelo Instituto Coral Vivo (ICV). Mais informações na página www.facebook.com/CoralVivo e no sitewww.coralvivo.org.br.

 
  
  
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