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Terça Ecológica

Quarta-feira, 03 de Junho de 2015

 
     

Para Belmonte, o Jornalismo Ambiental é fruto da aliança entre jornalistas e ambientalistas

  

O professor da UniRitter e pesquisador no Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental CNPq/UFRGS defende que no RS, onde o ambientalismo é pioneiro no país e permanece atuante, o jornalismo do passado proporcionou espaço para o debate sobre as questões ambientais

  

Eliege Fante - EcoAgência    
Ilza Girardi, Juarez Tosi e Roberto Villar Belmonte durante a Terça Ecológica


Por Assessoria de Comunicação Alcar*

O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) realizou, nessa terça-feira (2), na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, a Terça Ecológica: A História do Jornalismo Ambiental no Rio Grande do Sul. O evento integrou a programação paralela do 10º Encontro Nacional de História da Mídia (Alcar 2015), que ocorre na UFRGS entre 3 e 5 de junho. A atividade, mediada pela jornalista e professora da UFRGS, Ilza Girardi, contou com a presença dos palestrantes, também jornalistas, Juarez Tosi, atual coordenador geral do NEJ-RS, e Roberto Villar Belmonte, professor da UniRitter.
 
A Terça Ecológica iniciou-se com a exibição de um trecho do programa Cidades e Soluções, da GloboNews, exibido em dezembro de 2011, que abordou o Jornalismo Ambiental e a criação, em 1990, do NEJ-RS, pioneiro no país e primeira entidade ambiental atuante pela Internet. Hoje o NEJ-RS é uma organização de referência nacional em Jornalismo Ambiental, com participação ativa nos principais eventos relacionados ao tema.
 
Juarez Tosi iniciou a palestra discorrendo sobre a sua própria trajetória no jornalismo ambiental, lembrando do período em que trabalhou no jornal Zero Hora, nos anos 80, e passou a propor pautas sobre meio ambiente. Tosi também comentou história da Borregaard, atual CMPC Celulose Riograndense, fábrica de celulose implantada na cidade de Guaíba (RS) em 1972. “A empresa em seu processo produtivo emitia um cheiro insuportável e toda a população de Porto Alegre reclamava. Após muitas reclamações e pelas matérias jornalísticas sobre o tema, principalmente no jornal Correio do Povo, a Borregaard fechou suas portas por um período de aproximadamente dois anos”. Esta foi uma das primeiras vitórias do movimento ambientalista no estado, que contou com o apoio dos meios de comunicação locais.

A criação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente (Agapan) em 1971, as Conferências da ONU, em Estocolmo, em 1972, e no Rio de Janeiro, em 1992 e 2012, foram alguns eventos que, segundo Tosi, estimularam a cobertura de assuntos ambientais no Rio Grande do Sul e no Brasil. “As questões ambientais somente eram lembradas quando ocorriam desastres ambientais e atualmente não existem medidas efetivas, somente remediações”, pontuou. O coordenador geral do NEJ-RS recordou o desastre ecológico ocorrido em 1978 na Praia do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar (RS), em que o derramamento de produtos tóxicos no mar causou a morte de animais nas águas e em terra.

O jornalista Roberto Villar Belmonte iniciou sua participação em tom preocupado: “O Rio Grande do Sul tem uma história e uma experiência riquíssima em Jornalismo Ambiental, mas o gaúcho sequer sabe disso”, lamentou. Segundo o professor da UniRitter, o estado serve como modelo de pensamento ecológico, a partir de  sua história de Jornalismo Ambiental pioneira.

O palestrante apresentou a hipótese de que o Jornalismo Ambiental somente existe em aliança com o movimento ambientalista: foi no debate ambiental, em episódios como a poluição causada pela Borregaard na década de 70, que se provocou a primeira discussão sobre o modelo de desenvolvimento nos veículos de comunicação do estado. “O Jornalismo Ambiental é um tensionamento permanente”, resumiu Belmonte, que questionou o porquê de ser mais difícil hoje fechar esse tipo de aliança com as mídias para realizar outras denúncias importantes. O professor e jornalista ainda mostrou aos participantes da mesa alguns exemplares de publicações históricas em Jornalismo Ambiental, tais como Agir Azul, Boletim Ambientalista e Revista Consciência.

Belmonte destacou a importância da disciplina de Jornalismo Ambiental nos cursos de Jornalismo, que na UFRGS foi criada pela professora Ilza Girardi. A pesquisadora então defendeu que o jornalista deve incorporar a pauta ambiental em todo o seu trabalho, posição que foi aprovada pelo público. Ao final, a mediadora elogiou o envolvimento dos presentes no debate. “As parcerias são muito importantes para levarmos adiante nossa missão de disponibilizar informações qualificadas sobre meio ambiente.”

 

* Estudantes Jaqueline Selistre e Marilene Flores com a supervisão das jornalistas responsáveis Ângela Camana e Débora Gallas
 

Alcar - EcoAgência

  
  
  
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