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Biodiversidade

Sexta-feira, 03 de Abril de 2015

 
     

Pesquisadora evidencia os efeitos da rápida perda dos campos do Sul do Brasil

  

A tese expõe a redução na riqueza de plantas (ervas e graminóides) e de lepidópteros (borboletas e mariposas) e também a ameaça à estabilidade de redes de interação

  

Bethânia Azambuja    
Borboleta Urbanus teleus no arbusto Buddleja grandiflor (família Scrophulariaceae)


Por Eliege Fante - Rede Campos Sulinos

A perda de habitat e a fragmentação dos ambientes naturais mobiliza há anos a pesquisa científica internacional para a busca de alternativas de mitigação e formas para tentar reverter os impactos à fauna e à flora. No Brasil, é hora de agir e ampliar o foco para além das áreas florestais. As dificuldades das espécies para encontrar habitats em meio à perda de campos, principalmente para a agricultura, já são perceptíveis.

Neste sentido, a tese “Processo de Conversão Agrícola dos Campos do Planalto Médio do Rio Grande do Sul e sua influência na Diversidade de Plantas, Artrópodes e Interações”, de Bethânia Azambuja, defendida neste mês no Departamento de Ecologia/IB da UFRGS, evidencia a urgência para frear a perda de habitat e a fragmentação dos campos do Sul do país.

Bethânia pesquisou a perda de habitat nos campos do Planalto Médio gaúcho, uma região com histórico de alta proporção de conversão de campos num curto inter- valo de tempo, entre 30 e 40 anos. De 1981 a 2009, a pesquisadora constatou a perda de 46% de áreas campestres, restando hoje apenas 24% de sua cobertura original. “Este é o momento de frear este processo. Os campos estão sendo perdidos e a diversidade de diferentes grupos taxonômicos, como plantas e artrópodes, está sendo afetada. Não podemos deixar chegar ao ponto da irreversibilidade,” disse. Com relação aos impactos sofridos pelas plantas campestres – graminóides e ervas – devido a perda de habitats, Bethânia constatou que os fragmentos avaliados não apresentaram dívida de extinção, ou seja, um atraso na resposta de espécies de plantas à perda de habitat.

Em outras palavras, isso significa que a conversão de habitat – avaliada como a proporção de campos em 2 km de raio em torno das unidades amostrais - implica em uma perda rápida de espécies de plantas. O estudo ainda apontou maior sensibilidade das espécies graminóides em relação às ervas quanto à perda de habitats.

Quanto aos artrópodes – representados neste estudo por borboletas e mariposas – a pesquisadora concluiu que a riqueza foi afetada pela perda de habitat. No entanto, características funcionais das espécies não estão relacionadas com a perda de habitat e respondem melhor a características locais, por exemplo, o tipo de manejo aplicado em cada área.

Ao estudar as relações entre plantas e seus visitantes florais, Bethânia concluiu que a estabilidade de redes de interação pode estar ameaçada. “Vimos que as redes de interações nas áreas mais fragmentadas, isto é, com menos habitat de campo ao redor, eram menos estáveis e, por isso, mais propensas à extinção de espécies. Isto se deve à dependência que estes visitantes florais têm de espécies, principalmente, da família Asteraceae e Apiaceae. A carqueja e o caraguatá, respectivamente, desempenham o importante papel de prover recursos florais em grande quantidade, especialmente em áreas mais pobres em espécies de plantas,” explicou.

A pesquisadora acredita que uma política de pagamento por serviços ambientais prestados pelos campos à agricultura, através da polinização e do controle de pragas, pode contribuir para a proteção e a conservação dos campos. Ela destacou que os campos constituem um reservatório natural de biodiversidade, oferecem importantes espécies forrageiras à produção pecuária, cumprem a função de proteção do solo e da água e fixam no solo carbono da atmosfera.

Rede Campos Sulinos - EcoAgência

  
  
  
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