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Agronegócio

Sexta-feira, 06 de Março de 2015

 
     

Reunião da CTNBio é suspensa após manifestação do MST

  

Estavam sob análise para a votação os pedidos de liberação para uso comercial de milho e eucalipto transgênicos ambos resistentes ao herbicida 2,4-D. Uma variedade de milho já havia sido aprovada atendendo pedido da Dow AgroSciences Sementes & Biotecnologia Brasil e Monsanto do Brasil

  

MST    
Ocupação pelo MST da sala de reunião da CTNBio em Brasília


Por EcoAgência com informações da Agência Brasil e AS-PTA

Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e da Via Campesina interromperam ontem (5) a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que analisava pedidos de liberação para uso comercial do milho e do eucalipto transgênicos ambos resistentes ao herbicida 2,4-D. A votação foi adiada para a primeira quinzena de abril. De acordo com a Polícia Militar, o ato foi pacífico.

“A ideia nossa era vir para travar, impedir esta reunião mesmo. Porque não houve nenhum debate. Apesar de ser uma comissão que tenha pessoas comprometidas com os movimentos, a grande maioria representa os interesses patronais. A gente veio na ideia de fazer o debate. Impediram nossa entrada, forçamos, fizemos falas e impedimos a reunião. A gente acredita que o CTNBio não representa os interesses do povo. Não é uma comissão escolhida de forma democrática”, disse Marco Antonio Baratto, da coordenação estadual do MST no Distrito Federal, à Agência Brasil.

Antes de a reunião ser suspensa, os membros da comissão chegaram a aprovar a liberação para uso comercial uma variedade de milho transgênico tolerante ao herbicida ácido diclorofenóxiacético (2,4-D), usado no controle de ervas daninhas em pastagens e na produção agrícola, bem como a determinados inibidores de acetil coenzima. A decisão atendeu pedido feito pelas empresas Dow AgroSciences Sementes & Biotecnologia Brasil e Monsanto do Brasil.

O MST e a Via Campesina defendem a proibição do uso agrotóxico 2,4-D. De acordo Baratto, a permissão do CTNBio para comercialização da variedade de milho resistente ao pesticida incentiva a utilização do produto tóxico. “Vários países do mundo proíbem o uso desse agrotóxico, esse agente químico secante já usado no Brasil no cultivo de soja, que mata tudo que tem em volta, contaminando o solo e os lençol freático”, disse.

Argentina
Conforme a associação AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, na Argentina, após a liberação da soja transgênica, o volume de glifosato aplicado cresceu 380%. Nos EUA, o uso de glifosato na soja RR aumentou de 0,77 para 1,75 kg/ha entre 1996 e 2011. No Brasil, esse volume foi multiplicado por 6 também depois da liberação da soja transgênica. Efeitos similares são esperados caso sejam liberadas variedades resistentes a 2,4-D. As vendas de agrotóxicos movimentaram quase US$ 8,5 bilhões no Brasil em 2011 – o dobro do apurado em 2005. Esse expressivo aumento aconteceu no mesmo período em que o cultivo de transgênicos deu seu grande salto no país.

O herbicida 2,4-D é proibido na Dinamarca, na Suécia e na Noruega (desde 1997). Proibido também para uso em ambientes públicos em vários estados do Canadá (Quebec, desde 2006, Newfoundland e Labrador, e Nova Scotia). Em 2008, o Natural Resources Defense Council solicitou ao Governo dos EUA o banimento do 2,4-D (NRDC, 2012). O Genok, centro de estudo em biossegurança da Noruega, fez parecer contrário para liberação comercial (importação para alimentação humana e animal) da soja tolerante ao 2,4-D em processo de avaliação no Brasil (Genok, 2011). O Centro de Biossegurança da África (ACB) também criticou a decisão do Governo da África do Sul em liberar comercialmente a importação de milho tolerante ao 2,4-D para a alimentação humana e animal naquele país (ACB, 2012).

A AS-PTA alerta, por fim, que estudos já mostraram que o herbicida 2,4-D afeta negativamente o sistema cardiovascular, nervoso e reprodutivo de roedores e mamíferos. Em 2009 o Parlamento Europeu votou seu banimento junto com outros 21 agrotóxicos classificados como carcinogênico, mutagênico ou tóxico para a reprodução. O uso de glufosinato será banido completamente da União Europeia até 2017.

A seguir, leia a manifestação do professor titular da USP, agrônomo e doutor em genética, Paulo Yoshio Kageyama, sobre o pedido de liberação comercial do eucalipto transgênico.

Considerações sobre o Eucalipto Transgênico H421 da FuturaGene/Suzano Papel e Celulose (Edição: AS-PTA)

Trata-se de mais um pedido de aprovação comercial de transgênico, agora do eucalipto, requerido pela FuturaGene/Suzano Papel e Celulose, visando ao aumento da produtividade de celulose e diminuindo o ciclo de corte de 7 para 4 ou 5 anos.

Esse pedido, segundo avaliação na audiência pública realizada e manifestações de diversos pesquisadores e instituições idôneas, não apresenta condições mínimas exigidas na análise de biossegurança para sua aprovação.

Sendo o eucalipto uma espécie perene, isso faz com que os problemas de impactos sobre o meio ambiente (água, biodiversidade e solos) e saúde humana (mel e pólen) sejam mais agravados ou desconhecidos quando comparados às culturas agrícolas já aprovadas.

Com relação aos impactos na água, a redução da rotação para 4 ou 5 anos, mantido o atual manejo silvicultural, segundo os maiores especialistas na área, geraria um impacto drástico nas microbacias que recebem essas plantações, agravando drasticamente a atual crise hídrica. A empresa não realizou esses estudos essenciais.

O potencial impacto na fauna de polinizadores (nativos e exóticos) também não foi devidamente estudado, levando em conta que o próprio estudo da empresa demonstra que o pólen do transgênico possui uma concentração muito maior do efeito da transgenia do que outros tecidos da planta, o que pode levar ao colapso das colmeias.

A produção e a exportação de mel no Brasil hoje são diretamente relacionadas ao cultivo do eucalipto, praticada principalmente por milhares de pequenos produtores que têm nessa atividade sua principal fonte de renda. São hoje cerca de 350 mil produtores de mel, sendo 80% deles orgânicos. Com a eventual liberação do eucalipto transgênico, e inevitável contaminação do mel, a exportação de mel orgânico será prejudicada pela não aceitação pelo mercado internacional.

Merece destaque o fato de que a empresa proponente já vem realizando a aplicação aérea de inseticidas no eucalipto, o que no caso dessa cultura arbórea, com cerca de 20 metros de copa, toma outra dimensão ambiental, que já vem afetando pequenos produtores vizinhos às áreas de monocultivo, principalmente na Bahia.

Também merece atenção o fato de que os estudos de campo, que deveriam dar base ao pedido de liberação comercial, em sua maior parte ainda não foram concluídos.

Mais estranho ainda seria o fato de que, em sendo importantes, tais estudos não precisem ser concluídos e isso seja aceito como normal, por membros da CTNBio.

Por último, cabe lembrar que o Brasil assumiu compromisso internacional de não liberar o plantio de arvores transgênicas antes de concluídos os estudos necessários, sobre sua segurança. Chama atenção que, além de não estudar organismos não-alvo, a Empresa não apresentou acompanhamento do ciclo completo destas árvores.

Na prática foram adotados protocolos válidos para o estudo de plantas anuais, como soja e milho, para examinar riscos associados a plantas perenes, que podem permanecer ativas no ambiente por meio século ou mais.
 

EcoAgência com informações da Agência Brasil e AS-PTA

  
  
  Comentários
  
Paulo Andrde - 06/03/15 - 21:07
A comunidade científica começa a expressar seu repúdio à ação do MST, tanto na CTNBio como em Itapetininga, na estação experimental da Futuragene. A SBPC acaba de divulgar nota sobre isso. Leiam mais em http://genpeace.blogspot.com/2015/03/sbpc-repudia-invasao-e-agressao-ctnbio.html
Paulo Andrde - 07/03/15 - 07:37
Car@s. A comunidade científica começa a expressar seu repúdio à ação do MST, tanto na CTNBio como em Itapetininga, na estação experimental da Futuragene. A SBPC acaba de divulgar nota sobre isso. Leiam mais em http://genpeace.blogspot.com/2015/03/sbpc-repudia-invasao-e-agressao-ctnbio.html Boa leitura Paulo Andrade99H
Paulo Andrde - 07/03/15 - 13:40
Ainda que possa compreender que as invasões fazem parte de um ativismo mais agressivo e que podem, em muitos casos, ser justificadas, e ainda que se possa de forma geral simpatizar e até apoiar um movimento que luta por uma distribuição mais justa de terras, isso não valida automaticamente qualquer ação das entidades que levam esta bandeira. No caso específico do MST e sua oposição aos transgênicos, o que se vê é uma extrapolação grave de sua missão original, que era lutar pela melhor distribuição de terras. Ser contra os transgênicos sem ser contra absolutamente todo o agronegócio é absurdo e vender a luta contra os transgênicos como se fosse a mais refinada forma de luta contra o modelo do agronegócio é vender uma mentira deslavada.
  
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