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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2015

 
     

Atividade na UFRGS debate a perspectiva científica sobre as mudanças do clima

  

Professor Jefferson Cardia Simões, pioneiro no estudo sobre o continente antártico, foi o palestrante da segunda edição do ciclo Mudanças climáticas: o que você tem a ver com isso?

  

Lorena Fleury    
Jefferson Cardia Simões e Ângela Camana da organização do evento


Por Débora Gallas - especial para a EcoAgência

Nessa quarta-feira (4), a segunda edição do ciclo de debates Mudanças climáticas: o que você tem a ver com isso?, com a participação do professor da UFRGS e pesquisador integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) Jefferson Cardia Simões, reuniu pesquisadores, estudantes e comunicadores no auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. O palestrante discutiu o papel dos cientistas na apresentação dos cenários relativos às mudanças ambientais globais e, por consequência, no subsídio às decisões políticas que preveem mitigação e adaptação diante da tendência de aumento da temperatura do planeta neste século.

Em sua fala, Jefferson procurou desfazer a confusão entre os termos “mudanças do clima”, “aquecimento global” e “efeito estufa”, considerados sinônimos pelo senso comum. A denominação “mudanças do clima”, segundo o professor, pressupõe mudanças na média de algum evento climático, em diferentes escalas temporais e considera fatores internos e externos de variação climática. O professor ressaltou que o efeito estufa é um fenômeno natural, mas que está sendo intensificado com a produção artificial de gases através da atividade humana.

Jefferson Simões problematizou as reações da imprensa após a divulgação do relatório divulgado pelo IPCC em 2007, que apontou a influência humana sobre o sistema climático do planeta. Segundo a avaliação do professor, houve uma abordagem catastrofista e, por outro lado, abertura aos negacionistas. O pesquisador lembrou, no entanto, que os cientistas trabalham com evidências. Neste sentido, criticou coberturas jornalísticas sobre as mudanças climáticas que, no intuito de mostrar todas as opiniões sobre o tema, consideram o posicionamento dos negacionistas. Esses grupos, de acordo com Jefferson, estão especialmente relacionados aos interesses de indústrias como a petroquímica e são desconsiderados na comunidade científica porque ignoram a produção intelectual que aponta a tendência de aumento da temperatura por conta da intervenção humana.

O professor da UFRGS detalhou o trabalho de coleta de dados em cilindros de gelo, que permite realizar análise química da atmosfera de milênios anteriores. De acordo com os resultados da pesquisa, ele afirmou que a concentração atual de dióxido de carbono é a maior dos últimos 800 mil anos. Jefferson explicou que as mudanças ocorrem naturalmente, mas a atividade humana é responsável por intensificar o processo. Diante desse cenário, porém, o cientista diz perceber pela primeira vez a existência de uma ética transgeracional, ou seja, de uma discussão sobre como garantir condições de sobrevivência no planeta às futuras gerações.

Jefferson apontou evidências das mudanças climáticas da América do Sul, como as variações nas vazões dos rios, a retração das geleiras andinas, os incêndios florestais na Amazônia, o impacto nos ecossistemas marinhos e a degradação da terra, o que também afeta a produção de alimentos. O pesquisador ainda destacou os riscos das mudanças do clima no Brasil: aumento de eventos extremos, a disseminação de doenças por vetores favorecidos pelas variações na temperatura, a intensificação das ondas de calor e a ocorrência de precipitações fortes, especialmente em regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e o déficit de água em outras regiões, o que deve causar grandes efeitos na produção agrícola. Jefferson sustentou que o olhar sobre as mudanças do clima é relativo, já que algumas comunidades podem se adaptar mais facilmente às alterações, mas ressaltou que as populações pobres estão mais vulneráveis às suas consequências.

O ciclo Mudanças climáticas: o que você tem a ver com isso? busca discutir o tema com vistas à realização da Conferência das Partes (COP 21) pela ONU em Paris (França) no mês de dezembro. A atividade é promovida pelo Grupo de Pesquisa TEMAS (Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade), no âmbito do projeto “Mudanças Climáticas e as políticas da natureza: rumo a um turning point?”, e tem apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, por meio do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental, e do GPACE (Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento). A primeira edição do ciclo debateu as agendas do poder público e da sociedade civil diante das mudanças climáticas e contou com as participações do biólogo e professor da UFRGS Paulo Brack e da analista ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM/RS) Sabrina Feltes.

Leia também:
Os impactos regionais e os entraves políticos no enfrentamento das mudanças climáticas
 

EcoAgência

  
  
  
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