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Ameaça Nuclear

Quinta-feira, 05 de Julho de 2012

 
     

Japão volta a produzir energia nuclear

  

Pouco mais de um ano após a tragédia de Fukushima, o Japão reativa um de seus reatores nucleares, e o próximo já está na fila. Comissão independente vê falha humana e diz que catástrofe poderia ter sido evitada.

  


Por Deutsche Welle

A reativação do primeiro reator nuclear do Japão, após 15 meses de suspensão das atividades das 50 usinas do país, mostra a situação contraditória da política energética japonesa após a catástrofe de Fukushima, no dia 11 de março do ano passado. Por um lado, os reatores 3 e 4 da usina de Ohi, na região central do país, foram considerados suficientemente seguros para serem colocados novamente em funcionamento – o reator 3 voltou a gerar energia às 7h (horário local) desta quinta-feira (05/07) e o reator 4 deve ser reativado no próximo dia 18. Por outro lado, porém, novas plantas só poderão receber sinal verde quando a nova agência regulatória nuclear japonesa, não mais ligada ao Ministério da Economia, começar seus trabalhos, daqui a dois meses.

Ao mesmo tempo, um relatório apresentado nesta quinta-feira por uma comissão independente concluiu que a catástrofe de Fukushima poderia ter sido evitada. Apesar da ocorrência de um terremoto e de um tsunami, o documento afirma que "o acidente na usina nuclear de Fukushima Daiichi não pode ser visto como desastre da natureza. Ele foi um grave desastre causado pela mão humana".

O relatório afirma ainda que a catástrofe era "previsível e evitável" e que seria o resultado de um conluio entre o governo, as autoridades regulatórias e a empresa Tepco. Embora todos soubessem dos riscos e estivessem conscientes de que a usina não atendia aos critérios de segurança – e que, portanto, não poderia resistir no caso de terremoto e tsunami de maior proporção – nenhuma medida foi tomada, conclui o documento.

A Tepco é ainda acusada de não ter preparado seus funcionários para o caso de um acidente como esse e de não ter dado informações claras sobre como agir no momento da catástrofe. Na época houve uma tripla fusão de um reator. Mais de 100 mil pessoas até hoje não puderam voltar para casa. Até o acidente, cerca de 30% da demanda energética no Japão era suprida pela geração atômica.

Protestos contra a energia nuclear

Os reatores em Ohi pertencem à companhia Kepco, que fornece energia para a região da grande Osaka. Para garantir o abastecimento energético durantes os críticos meses do verão sem risco de grandes cortes, o governo do primeiro-ministro Yoshihiko Noda permitiu a reativação.

As reações foram imediatas. Críticos da decisão apontam para a falta de infraestrutura adequada no caso de um acidente. Apesar de a zona de evacuação ter passado de 10 para 30 quilômetros de distância das instalações, em quase todas as localidades faltam saídas de emergência, aparelhos para medir radioatividade e equipamentos médicos, segundo reclamações dos governantes das regiões atingidas.
Também aumentam os protestos entre a população. O comentarista Noriyuki Wakisaka, do jornal Asahi Shimbun, afirma que entre 70% e 80% dos japoneses são contra a energia nuclear. No final de junho houve uma grande manifestação contra o funcionamento das usinas, reunindo centenas de pessoas em frente ao prédio do governo onde trabalha o primeiro-ministro, em Tóquio.

"Há cidadãos indignados aqui como há na Alemanha, mas não há um partido que represente essas vozes. Mas a insatisfação cresce, os protestos são organizados por jovens e não têm um caráter ideológico", afirmou Wakisaka para a Deutsche Welle.

Leia o restante da reportagem da DW

Deutsche Welle, parceira da EcoAgência de Notícias

  
  
  
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