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Amazônia

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

 
     

Brasil pode ser a primeira potência ambiental

  

País possui imensa biodiversidade e um sistema de ciência e tecnologia maduro, mas necessita aplicar o conhecimento adquirido na geração de trabalho e riqueza, na intensidade correta e sem permitir que eles se esgotem.

  

SBPC propõe a conservação da Amazônia, possibilitando uma interação dinâmica e sustentada com os diversos biomas da floresta.


Por Juarez Tosi

O Brasil tem condições de se tornar a primeira e, por um longo tempo, a única potência ambiental do mundo, devido a sua grande biodiversidade e por já possuir um sistema de ciência e tecnologia maduro. Para tanto, é preciso aplicar esse conhecimento científico adquirido para utilizar os recursos naturais do País com vistas à geração de trabalho e riqueza, na intensidade correta e sem permitir que eles se esgotem. A avaliação foi feita pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, na abertura da 61ª Reunião Anual da Sociedade, ontem (12/07), em Manaus (AM).

“Com essa condição de potência ambiental, resolveríamos, ao mesmo tempo, duas importantes questões. A primeira diz respeito às populações da Amazônia, que é sua independência econômica. E também poderíamos responder ao mundo que conhecemos, convivemos e cuidamos da Amazônia”, indicou Raupp.

Raupp afirmou que a SBPC propõe a conservação da Amazônia, possibilitando uma interação dinâmica e sustentada com os diversos biomas da floresta. “No nosso entendimento e da comunidade científica brasileira, o modelo de desenvolvimento para a Amazônia terá de ser construído com base no conhecimento científico e tecnológico, de preferência, produzido na região”, ressaltou.
Há três semanas, Raupp entregou ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, um documento elaborado com a participação de 25 sociedades científicas associadas à SBPC, com sugestões para desatravancar a ciência no Brasil. Uma delas é permitir o acesso à pesquisa e ao uso da biodiversidade brasileira.

Presente na sessão de abertura do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que o documento já foi apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que as ações propostas sejam executadas. “Estamos fazendo avanços e vamos mostrar alguns deles nas próximas semanas. Alguns são mais complicados e envolvem até mudanças na Constituição. Mas vamos resolver essa questão do acesso à biodiversidade, que é fundamental para o País como um todo e muito importante para a Amazônia”, antecipou Rezende.

O ministro foi homenageado com uma placa pelo governador do Amazonas, Eduardo Braga, pela contribuição do ministério para a criação do atual sistema de ciência e tecnologia do estado. Desde 2003, Braga vem implementando uma nova política científica e tecnológica no Amazonas, que já destinou R$ 1,2 bilhão para essa finalidade – um volume de investimentos atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Por esse trabalho, o governador foi agraciado pela SBPC com a medalha “Governador amigo da ciência”, instituída e concedida pela primeira vez pela Sociedade para homenagear governos estaduais que se destaquem por seus esforços em prol do desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação.


“Quando começamos a montar um sistema de ciência e tecnologia no Amazonas, em 2003, pensávamos em preparar o estado para o futuro e o conhecimento. Entendíamos que o Amazonas não poderia ficar mais na situação do coitado, com um pires na mão, pedindo migalhas para o sul e sudeste do Brasil. Queremos o direito de sermos o dono do nosso destino, da nossa cultura e do nosso conhecimento científico”, disse Braga em seu discurso de agradecimento.


Outro grande homenageado da noite foi o pesquisador e presidente de honra da SBPC Warwick Estevam Kerr. Pioneiro na genética brasileira e um dos maiores especialistas em genética de abelhas do mundo, Kerr foi diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em duas ocasiões, quando morou, ao todo, oito anos em Manaus. “Manaus talvez seja a região do Brasil em que eu vivi que ficou impregnada em mim. Foi na Amazônia onde eu pude conhecer melhor a interação das espécies. E a Reunião Anual da SBPC muitas vezes me parece um encontro de espécies diferentes, tal a grande diferença de conhecimentos que ela apresenta”, disse o pesquisador em um vídeo transmitido durante a cerimônia, devido a sua impossibilidade de comparecer à homenagem por motivos de saúde.


Realizada em plena uma praça pública, ao lado do centenário Teatro Amazonas, que estava todo iluminado por ocasião da solenidade, a sessão de abertura reuniu um público estimado em 1,5 mil pessoas. Um grupo de dança do Amazonas encerrou a solenidade, com a apresentação de trechos de um espetáculo que mostraram em Paris, durante as comemorações do Ano do Brasil na França.  
 
 

SBPC/EcoAgência

  
  
  
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