Untitled Document
Boa noite, 22 de out
Untitled Document
Untitled Document
  
EcoAgência > Notícia
   
Monoculturas

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

 
     

Os impactos sociais e ambientais das papeleiras no Uruguai

  

Jornalista Victor Bacchetta, que veio a Porto Alegre, contesta benefícios alardeados por essas empresas.

  

Arquivo Pessoal    
Vacas buscam pasto na beira de estrada


Por Ulisses A. Nenê

Palestrante do lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, segunda-feira (15/12), em Porto Alegre, o jornalista uruguaio Victor Bacchetta, autor de “A Fraude da Celulose” contesta a propaganda dos desertos verdes. Segundo ele, é impossível se falar em benefícios dos monocultivos de eucaliptos – e das fábricas que vêm no rastro – diante dos impactos ambientais e sociais que inevitavelmente acontecem.

Ele enumerou uma penca destes impactos, pela manhã, em um painel na Assembléia Legislativa, no lançamento do Mogdema, e no final da tarde, em palestra do Semapi – Sindicato dos servidores das fundações estaduais e outras categorias. Lá o florestamento para produção de celulose começou em 1990. Eis alguns problemas que, conforme o jornalista, nascem junto com os eucaliptais:
 
- desalojamento da população rural das áreas dos monocultivos;
- escassez de oportunidades de empregos ou em péssimas condições (ao contrário do que propagandeiam as papeleiras)
- concentração de terras em mãos de algumas empresas nacionais e estrangeiras;
- esgotamento de recursos hídricos;
- degradação e compactação dos solos;
- transferência de expressivos recursos econômicos da população para o setor florestal, via subsídios diretos e indiretos, isenções, etc.
- contaminação da água e dos solos pelos agrotóxicos empregados nas plantações de eucalipto, que são carreados pelas chuvas aos mananciais;
- impacto sobre a flora, em particular as pastagens do Pampa;
- impacto sobre a fauna (desaparece a fauna original e aparecem pragas).
 
Poço seco
 
Com abundância de dados históricos, gráficos, números, fotos, Bacchetta detalha estes impactos. Mostra, por exemplo, que por falta de água, uma comunidade simplesmente desapareceu do mapa, só restam casas vazias e o poço que a abastecia aparece seco na foto. Seco pelos eucaliptos dos arredores, como outros.
 
E se, até algumas décadas atrás, um latifúndio no Uruguai tinha algo como 25 mil hectares, hoje as papeleiras já têm áreas de até 150 mil hectares. Com isso, faltam pastagens para o gado de quem ainda tem alguma criação nestas áreas, e os animais catam algum pasto nas beiras de estrada. Ainda por cima, as empresas de florestamento cobram dos criadores para que os animais pastem nos pequenos corredores anti-incêndio que existem nos arredores e entre uma floresta de eucalipto e outra.
 
Não se enxerga mais o horizonte, como no Pampa original. Onde existem estas plantações, é eucalipto por toda a parte, formando paredões. Onde havia alguma indústria de turismo, pesca, apicultura ou outra atividade, não há mais. A geração de empregos é baixíssima. Depois de plantada a floresta, basta um homem, normalmente terceirizado, para tomar conta de dois mil hectares.
 
No período de plantio, o florestamento para celulose emprega, no máximo, 5 trabalhadores (dados oficiais) diretos e indiretos – a maioria é terceirizada – a cada mil hectares. Já a criação de gado, que também tem baixa empregabilidade, emprega 6 pessoas, uma a mais; mas a fruticultura emprega 71 pessoas na mesma área, e a horticultura 138 pessoas. Na produção de arroz, a cifra é de 7,7 trabalhadores por mil hectares.
 
Protestos dos argentinos
 
O Uruguai já tem um milhão de hectares plantados, sendo que uma fábrica como a polêmica Botnia, de Fray Bentos, que gerou protestos dos vizinhos argentinos, por medo da poluição no rio Uruguai (o caso está sendo julgado na Corte de Haia). Gera apenas 190 empregos para produzir 1 milhão de toneladas/ano de celulose. Consome 86 milhões de litros/dia de água e devolve 71 milhões de efluentes, com uma tecnologia que ainda usa cloro, considerada ultrapassada na Europa.
 
Na avaliação de Bacchetta, estes projetos são impostos ao país por organismos como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para liberação de recursos de projetos sociais – como o Fome Zero deles – estes organismos impõem a abertura do país a investimentos estrangeiros como os das papeleiras. São investimentos sem retorno social e econômico, afirma o jornalista.
 
A Botnia, por exemplo, se instalou numa zona franca e não paga nada de impostos. O Departamento de Rio Negro, onde ela se encontra e disseminou florestas, é o mais miserável do Uruguai, com os piores índices de desemprego do país. “Onde está a vantagem? Qual foi o trabalho que gerou a florestação e a fábrica de celulose no país?: Nenhum”, afirma Bacchetta..
 
Ele está assustado com novos projetos de papeleiras que se anunciam para o Uruguai, da Stora Enso (finlandesa), Portocel (portuguesa), Ence (espanhola) e Nippon Paper (japonesa). Caso se concretizem, tomariam conta de 4 milhões de hectares, ou 25% de toda a área cultivável do país: “O impacto não é só na área plantada, toda a cultura vizinha tem que ir embora, as conseqüências seriam desastrosas”, lamenta.
EcoAgência

  
  
  Comentários
  
Flávio Rizi Júnior - 18/12/08 - 11:00
Prezados Senhores, Sou morador do vale do paraíba e a invasão do plantio de eucalipto nas áreas destinadas anteriormente a agricultura familiar, áreas de preservação permanente e áreas de vegetação nativa. Este fato está preocupando muito os mais informados, mas há a necessidade de amplo divulgação dos fatos, pois a maioria da população desconhece a realidade, é necessario união dos movimentos ambientais para o enfrentamento direto da questão. O problema está acontecendo em todo o País. Um abraço a todos, Flávio Rizi Júnior
Luciano G Silva - 28/01/12 - 04:15
Muito obrigado por participar, bom quero relatar o meu descontentamento com esta atividade industrial. Onde nos anos de 1970, na cidade de Guaíba, teve um triste capítulo a se iniciar. Se não fosse pela atuação de pessoas importantes como: Sebastião Pinheiro, José A. Lutzenberger, jornalistas e políticos locais, estaríamos até hoje a respirar o ar fétido da Borregaard e a atolar-se no lodaçal de resíduos jogados no lago Guaíba. Porém fica uma pergunta no ar, como ficará os possíveis novos projetos de celulose no RS no quesito sócio-ambiental? Como ficará a cidade de Guaíba se a planta da CMCP expandir? Como ficará a infra estrutura da cidade por causa desta expansão? Lembrete: O professor Lutzenberger já não está entre nós, o seu legado ficou; ele combateu a Borregaard e apontou soluções e as aplicou gerando grande mudanças nessa empresa, porém fica a dúvida no ar será que a companhia atual continuará à aplicar com seriedade os padrões ambientais alcançados de 99% de reciclagem de resíduos ou entrará para o time das poluidoras do setor que nem realizam um tratamento básicos de seus efluentes, tomará que o bom senso prevaleça.
  
Untitled Document
Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
 
Mais Lidas
  
Untitled Document
 
 
 
  
  
  
  
  
  
  Untitled Document
 
 
Portal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul - Todos os Direitos reservados - 2008