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Domingo, 21 de Agosto de 2011
  
O paraíso em pedras

Mesmo encontrando-se bastante devastada, região capixaba considerada por Burle Max, "o lugar mais bonito do mundo", na década de 70, ainda preserva relevantes fragmentos de matas, além de ter registros de mamíferos raros como a Onça-Pintada, Gato Maracajá e Preguiça de Coleira.
 

  
Por Ivan Ruela
  

Na década de 70, Roberto Burle Max, vislumbrado com formatos rochosos no estilo 'Pão de Açúcar', em área coberta por densa mata atlântica,no noroeste capixaba, exclamava: “É o lugar mais bonito do mundo”. A admiração do paisagista se estendia ao Monumento Natural dos Pontões Capixabas, situado nos municípios de Pancas e Águia Branca, noroeste do Espírito Santo. foi criado em 2008, substituindo o parque nacional de mesmo nome. A troca de categoria da Unidade de Conservação (UC) foi comemorada por pomeranos e pelos descendentes de poloneses que vivem na região. Sem essa mudança, os moradores seriam obrigados a deixar as propriedades localizadas dentro da demarcação da reserva.

Pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o Monumento Natural, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, podendo ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários. Já nos parques nacionais, é proibida a permanência de moradores em seu interior.

O Monumento Natural dos Pontões Capixabas tem em seu redor mais de 500 famílias presentes, com mais de dois mi moradores, em quase 400 propriedades. São 17.496 hectares, a mesma área do parque, criado em 2002. Os descendentes de pomeranos, oriundos da Pomerânia, extinta região situada entre a Prússia e Alemanha, e que chegaram ao Brasil no século XIX, com predominância nos estados do Espirito Santo e Santa Catarina, habitam a área do monumento no município de Pancas. Já os descendentes de poloneses, povoam a região de Águia Branca, município vizinho. “A maior área da reserva, cerca de 70%, fica em Pancas, porém a população residente no monumento fica dividida entre os dois municípios.

A UC compreende uma área de aproximadamente 100.000 hectares, porém o Parque, e consequentemente, o Monumento, foram constituídos em menos de 20% desta área.”Uma das ideias é a formação de um Mosaico de Unidades de Conservação,inclusive com a criação de RPPN´S na região”, conta Osvaldo Ceotto, do ICMBIO, gestor da reserva. Só existem 3 monumentos naturais federais no Brasil, a UC capixaba é a única em Mata Atlântica. O Monumento Natural do Rio São Francisco, fica na Caatinga. Já o Monumento Natural das Ilhas Cagarras situa-se no bioma Marinho.

O local é formado pelos formações rochosas Inselbergs (Ilhas de morros, constituído por graníticos ou granitoides), em formato Pão de Açúcar, montanhas, vales, cachoeiras e remanescentes florestais preservados. A Pedra Agulha, com 500 metros de altura e a Pedra do Camelo, com 720 metros, são seus cartões postais. É propício para práticas de esportes de aventura e ecoturismo, contendo rampa de voo livre, trilhas para caminhadas, pedras para escalada e rapel, além de ser um excelente ponto para observação de aves. Um circuito turístico foi criado, tendo em seu percurso algumas propriedades que vem se transformando em hotéis fazenda. “Tudo aqui é recente, o povo ainda tem muito a se conscientizar tanto sobre preservação, quanto com relação ao turismo”, relata o mineiro Adeilto Moreira, Biólogo e Professor, que mora a quase dois anos na cidade. Outro destaque do circuito é a tradicional culinária pomerana.

Apesar da região estar muito devastada em relação a época da visita de Burle Max, ainda são encontrados relevantes fragmentos de matas, além de ter registros de mamíferos raros como a Onça-Pintada (Panthera onca), Gato Maracajá (Leopardus wiedi) e Preguiça de Coleira ( Bradypus torquatus). Também são encontradas diversas aves, como os psitacídeos ameaçados de extinção, Papagaio-Chauá (Amazona rhodocorytha) e Papagaio-Moleiro (Amazona farinosa), outras raras, como o Tucano do Bico Preto (Ramphastos vitellinus ariel), o Anu-Coroca (Crotophaga major) e o Urubu-Rei (Sarcoramphus papa), espécies que são exigentes de mata preservada.

A degradação na região se deu por conta inicialmente com a retirada de madeiras de lei, como a Peroba (Aspidosperma sp) e o Jacarandá ( Jacaranda sp), vendidas a peso de ouro no mercado internacional. Depois com a produção do Café e outras lavouras, substituídas parcialmente depois pelas pastagens, que se expandiram ao longo dos anos. Hoje a grande ação predatória que atinge a região é a Mineração, com a retirada de granitos no local, provocando estragos em toda a biodiversidade e no aspecto paisagístico. “ A caça e o desmatamento ainda acontecem na região, somados ao uso desenfreado de agrotóxicos, que vem contaminando o lençol freático, além das pastagens degradas. Alguns córregos estão assoreados. Vamos promover cursos e campanhas pra mudar esse quadro. Estamos com um convênio com o IEMA (Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo), com o projeto 'Fundágua'. Vamos recuperar nove nascentes dos pontões”, anima-se Ceotto.

E as medidas mitigatórias e conscientizadoras não param por aí. Segundo o gestor da unidade, serão promovidos cursos de técnicas de compostagem, usando bagaço de cana, casca de café e de arroz, palha de milho e restos de alimentos, como substrato para mudas de plantas nativas para recuperação florestal. Além disso, mudas serão doadas para os produtores plantarem em suas terras.

O conselho consultivo do monumento deverá ser constituído até Abril de 2012. Segundo Ceotto, serão quatro reuniões setoriais previstas, nas cidades de Pancas e Águia Branca, envolvendo órgãos públicos, sociedade civil organizada, sindicatos e a Associação de Voo Livre de Pancas(AVLP), que terão designados seus representantes. O Plano de Manejo da UC deve ser concluído entre 2013 e 2014, quando serão definidas as normas de uso e manejo da área.

Além dos torneios de voo livre, e a criação e expansão do Turismo Rural na região, um fórum de ecoturismo de alcance nacional deverá ocorrer na cidade de Pancas, em 2012. Se as propostas e projetos previstos tiverem êxito, acompanhadas pela conscientização da população local e dos turistas, as palavras de Burle Max poderão ser repetidas diversas vezes.


*Moderador da REBIA Nacional
*Editor do Blog eicaambiental.blogspot.com
 

  
             
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Autorizada a reprodução, citando-se a fonte.
           
 
  Comentários
  
Adeilto josé Moreira - 22/08/11 - 17:36
Muito bonito texto ivan parabens, esa região precisa mesmo ser mostrada, para o resto do brasil e quem sabe do mundo.Mas é preciso que as pessoas nativas da reigão aprendam a amar esse lugar,como varias pessoas que vêm pra cá a trabalho e acabam se apaixonando, é necessario mais concientização nas escolas pois as crianças em idade escolar na sua maioria não sabem o que é monumento natural e muito menosque moram dentro de uma unidade de conservação.
 
  
  
  
  
  
  
  
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